- - - - - - -- - - - - - - -- - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 01 de novembro de 1998

PESQUISA II
Naturalista fez o levantamento das plantas e animais do Nordeste

Georg Marcgrave não contribuiu apenas para a astronomia enquanto esteve a serviço da Companhia das Índias Ocidentais em Pernambuco. Ele realizou pelo menos três grandes expedições científicas no interior do Nordeste, fazendo levantamento da fauna e da flora.

"Há contribuições ainda para a cartografia, como a realização de mapas que reuniam textos e desenhos", afirma o coordenador do Instituto Georg Marcgrave, Christoph Ostendorf, ligado ao Centro Cultural Brasil-Alemanha.

Na botânica, Marcgrave realizou a primeira coleção de plantas de caráter científico do Brasil, descrevendo seus nomes indígenas e suas propriedades medicinais. O naturalista é considerado ainda um dos precursores da moderna taxonomia (nomenclatura de espécies), criada pelo sueco Carl von Linnaeus, no século passado.

A coleção botânica de Marcgrave está no herbário do Museu Nacional de Copenhague, na Dinamarca. São 173 plantas secas, de 148 espécies, das quais 120 são nativas do Nordeste.

Marcgrave nasceu no dia 10 de setembro de 1610, na cidade de Liebstadt, Alemanha. Aos 33 anos, morreu em Angola, na África, para onde tinha ido um ano antes, a pedido de Maurício de Nassau, depois que os portugueses expulsaram os holandeses, 24 anos após a ocupação. Quando chegou ao Brasil, tinha 18 anos.

Embora rodeado de pintores e desenhistas, a exemplo de Albert Eckout e Frans Post, Marcgrave nunca chegou a ser retratado.


     

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