- - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de novembro de 1998

PACOTE FISCAL II
Aprovação da reforma da Previdência é 1º teste do pacote

BRASÍLIA - A resposta do Governo a políticos e servidores que estão reagindo à cobrança de contribuição dos inativos para a Previdência poderá ser aumento de impostos e mais cortes nas verbas de custeio e investimento. O alerta é do ministro da Previdência Social, Waldeck Ornelas (PFL-BA), que começa, na quarta-feira, a negociar a aprovação da reforma previdenciária e das medidas anunciadas semana passada.

A elevação das contribuições pagas por trabalhadores rurais e cooperativas de trabalho e o fim da isenção para operadoras de planos e seguros de saúde e entidades que se intitulam filantrópicas, mas têm fim comercial, estão num pacote a ser enviado ao Legislativo para elevar em R$ 2 bilhões anuais a arrecadação do INSS.

O programa de ajuste fiscal do Governo passará pelo primeiro teste nesta semana com a retomada da votação dos últimos destaques da reforma da Previdência. Os líderes governistas estão intensificando a mobilização de suas bancadas para garantir um quórum suficiente e rejeitar os três destaques da oposição.

"Estamos trabalhando intensamente para assegurar a vitória porque ela não representa apenas a conclusão da reforma, mas uma demonstração de que o Governo e o Congresso têm condições de aprovar o ajuste", justifica o vice-líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA). "Ganhar as votações da reforma da Previdência seria uma resposta forte para quem não está acreditando que o Governo é capaz de fazer o ajuste", acrescenta o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).

Segundo Aleluia, cada líder está fazendo um mapeamento de sua bancada para identificar as dissidências e a coordenação desse trabalho ficará por conta do novo líder do Governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). "Estamos em uma maratona para conseguir um bom resultado porque houve mudança no meio ambiente político", diz Aleluia, referindo-se aos parlamentares que estão em fim de mandato e não conseguiram se reeleger.

Aleluia, no entanto, não acredita que os ressentimentos em relação à eleição possam atrapalhar a votação do ajuste. Ele avalia que, da mesma forma que o Governo precisa deles, eles precisam do Governo e de seus partidos para preservar o espaço político que já conquistaram. "Eles perderam mas continuam no meio político e no partido, que é quem vai lhes dar o apoio."


     

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