PACOTE FISCAL II
Aprovação
da reforma da Previdência é 1º
teste do pacoteBRASÍLIA - A
resposta do Governo a políticos
e servidores que estão reagindo
à cobrança de contribuição
dos inativos para a Previdência
poderá ser aumento de impostos e
mais cortes nas verbas de custeio
e investimento. O alerta é do
ministro da Previdência Social,
Waldeck Ornelas (PFL-BA), que
começa, na quarta-feira, a
negociar a aprovação da reforma
previdenciária e das medidas
anunciadas semana passada.
A elevação
das contribuições pagas por
trabalhadores rurais e
cooperativas de trabalho e o fim
da isenção para operadoras de
planos e seguros de saúde e
entidades que se intitulam
filantrópicas, mas têm fim
comercial, estão num pacote a
ser enviado ao Legislativo para
elevar em R$ 2 bilhões anuais a
arrecadação do INSS.
O programa de
ajuste fiscal do Governo passará
pelo primeiro teste nesta semana
com a retomada da votação dos
últimos destaques da reforma da
Previdência. Os líderes
governistas estão intensificando
a mobilização de suas bancadas
para garantir um quórum
suficiente e rejeitar os três
destaques da oposição.
"Estamos
trabalhando intensamente para
assegurar a vitória porque ela
não representa apenas a
conclusão da reforma, mas uma
demonstração de que o Governo e
o Congresso têm condições de
aprovar o ajuste", justifica
o vice-líder do PFL na Câmara,
José Carlos Aleluia (BA).
"Ganhar as votações da
reforma da Previdência seria uma
resposta forte para quem não
está acreditando que o Governo
é capaz de fazer o ajuste",
acrescenta o líder do PMDB na
Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).
Segundo
Aleluia, cada líder está
fazendo um mapeamento de sua
bancada para identificar as
dissidências e a coordenação
desse trabalho ficará por conta
do novo líder do Governo na
Câmara, Arnaldo Madeira
(PSDB-SP). "Estamos em uma
maratona para conseguir um bom
resultado porque houve mudança
no meio ambiente político",
diz Aleluia, referindo-se aos
parlamentares que estão em fim
de mandato e não conseguiram se
reeleger.
Aleluia, no
entanto, não acredita que os
ressentimentos em relação à
eleição possam atrapalhar a
votação do ajuste. Ele avalia
que, da mesma forma que o Governo
precisa deles, eles precisam do
Governo e de seus partidos para
preservar o espaço político que
já conquistaram. "Eles
perderam mas continuam no meio
político e no partido, que é
quem vai lhes dar o apoio."