PACOTE FISCAL III
Carta
de intenções do FMI pode ser
concluída amanhãWASHINGTON - A
equipe brasileira que negocia com
o Fundo Monetário Internacional
(FMI) já estava detalhando
ontem, em Washington, o
cumprimento de metas para o
ajuste fiscal anunciado pelo
Governo na última terça-feira.
É provável que até amanhã
esteja pronta a carta de
intenção entre o Brasil e
aquela instituição. A
informação de que um acordo
avançava rapidamente foi dada
por um dos economistas que
participam da negociação. Com o
documento, o FMI faria um
empréstimo de US$ 18 bilhões e
credenciaria o Brasil a US$ 27
bilhões junto a governos e
outras instituições
financeiras.
Antes de o
Fundo liberar o empréstimo, sua
diretoria-executiva deverá
aprovar os termos da carta. Desde
sábado à tarde, uma delegação
chefiada pelo secretário de
Política Econômica do
Ministério da Fazenda, Amaury
Bier, responde, em detalhes, às
dúvidas da direção do FMI.
O FMI quer
basicamente saber se é
plausível o plano que consiste
em gerar superávit primário - o
Brasil gastaria menos do que
arrecada -, para, com a
diferença, abater parte da
dívida interna. Esse objetivo se
detalharia em documento anexado
à carta de intenção, um
"memorando técnico de
entendimento". Por ele, os
créditos seriam liberados em
troca do cumprimento de metas
trimestrais de equilíbrio
fiscal. O FMI condicionará a
liberação da primeira parcela
do empréstimo - de valor ainda
desconhecido - à aprovação do
pacote pelo Congresso.
Assim, o Fundo
não corre o risco de que
aconteça com o Brasil o mesmo
que ocorreu com a Rússia. Ela
recebeu créditos mas não
aprovou no Parlamento o pacote
que, em teoria, teria evitado a
derrocada de sua economia. Não
se sabe ainda quais os itens do
pacote que provocam as maiores
dúvidas por parte do FMI.