PACOTE FISCAL IV
Brasil
está quebrado, diz economistaSÃO PAULO - O
Brasil está quebrado e o
dinheiro prometido pelo FMI não
será suficiente para o Brasil
pagar seus compromissos no
exterior, que somam mais de US$
70 bilhões nos próximos meses.
A avaliação é do professor de
economia João Manuel Cardoso de
Mello, da Unicamp. "O
problema do Brasil é
câmbio", afirma ele. Para o
professor, que ajudou a produzir
o Cruzado como assessor do
ministro da Fazenda Dilson
Funaro, o Governo tem de
centralizar o câmbio e limitar
as importações imediatamente.
Agora, segundo
ele, para resolver o problema só
mesmo uma "reestruturação
total" do País. Sem isso,
os planos econômicos não passam
de milagres. "Na época do
Cruzado não foi feita a
reestruturação que
pretendíamos, deu no que
deu." Cardoso de Mello ficou
famoso também por defender a
moratória da dívida externa. A
medida foi adotada quando, depois
do Cruzado, as reservas
internacionais acabaram.
Atualmente, ele defende a urgente
renegociação da dívida.
"O Brasil
está quebrado. Temos um
desequilíbrio na balança de
pagamentos insanável", diz
o professor, que vê o início do
problema na crise internacional.
"Houve um ciclo de crédito
que permitiu que se pusesse em
prática um programa de
estabilização do tipo do Plano
Real. Esse ciclo de crédito
acabou. Nós estamos
encalacrados. Chegou a conta do
Real. Não há pessoa séria que
não saiba que vai haver uma
recessão no Brasil. Quem disser
3%, 4% do PIB não vai
errar", enfatiza ele.
No seu
entender, o Governo precisa
centralizar o câmbio, impondo
restrições às remessas de
dinheiro. "É preciso
também limitar as
importações", afirma ele,
que defende a necessidade de se
encontrar uma maneira de
renegociar a dívida externa.
Segundo ele, o dinheiro do FMI
só vai garantir um "alívio
de uns dois ou três meses",
isto porque o País tem
compromissos internacionais nos
próximos meses que vão a US$ 70
bilhões, ultrapassando em 75% o
nível de reservas.