PACOTE FISCAL V
União
perde R$ 1,2 bi com atraso da
CPMFBRASÍLIA
- O atraso no envio ao
Congresso da proposta de
prorrogação da CPMF deverá
comprometer pelo menos um mês de
sua arrecadação, ou R$ 1,275
bilhão, de acordo com
avaliações feitas por
assessores do Legislativo. A CPMF
que está em vigor acaba em 22 de
janeiro do próximo ano e o
Governo terá de correr para
aprovar a emenda constitucional
que aumenta a alíquota de 0,20%
para 0,38% e o projeto de lei
complementar necessário para a
regulamentação do seu
recolhimento.
Pelos cálculos
de assessores da Câmara, na
melhor das hipóteses, para a
aprovação da emenda e do
projeto seriam necessários pelo
menos 90 dias. De acordo com essa
avaliação, só no final de
fevereiro o Governo começará a
recolher a contribuição com a
nova alíquota. Para cada mês de
atraso na prorrogação da CPMF o
Governo perde praticamente toda a
receita prevista no programa com
a arrecadação da contribuição
dos inativos em 1999: R$ 1,35
bilhão.
O Governo tem
ainda que negociar uma saída
jurídica para garantir que a
nova CPMF possa ser cobrada
imediatamente após a sua
aprovação. É que pela
Constituição Federal a
cobrança de contribuições só
pode ser feita 90 dias após a
sua aprovação pelo Congresso, o
que poderia retardar o início do
recolhimento para depois de
abril. A área jurídica do
Governo, no entanto, entende que
há espaço para afastar a
exigência da noventena na
própria emenda constitucional
que aumenta e prorroga a CPMF.
"A
exigência dos 90 dias não é
uma cláusula pétrea e pode ser
afastada pela própria
emenda", argumentou um
importante integrante da equipe
de juristas do governo. O Governo
estuda ainda a possibilidade de
respeitar o princípio da
noventena somente para os 0,18%
adicional. A justificativa é de
que, no caso dos 0,20%, não
seria necessário esperar 90 dias
porque se trata apenas da
prorrogação da cobrança.
Para acelerar a
tramitação da emenda, a
Assessoria Legislativa da Câmara
está tentando encontrar uma
brecha regimental que permita o
aproveitamento das emendas que
já estão tramitando na Casa
sobre o assunto. A prorrogação
da CPMF, com alíquota de 0,20%,
já foi aprovada em comissão
especial e está pronta para ser
votada em plenário.