PACOTE FISCAL VI
Governo
abre negociação dos cortes no
OGUBRASÍLIA
- Um dos principais
formuladores do pacote de ajuste
fiscal apresentado pelo governo
na última quarta-feira, o
economista Martus Tavares vai
negociar com o Congresso um dos
pontos do pacote que mais causam
problemas políticos: os cortes
no Orçamento. Caberá ao
secretário-executivo do
Ministério do Planejamento e
Orçamento (MPO) convencer os
parlamentares de que o Governo
não pode gastar mais do que
arrecada.
Tavares terá
ainda de convencê-los de que,
desta vez, o Tesouro Nacional, o
Banco Central e a Previdência
Social precisam chegar ao final
de 99 com um saldo positivo
mínimo de R$ 16,4 bilhões.
Trata-se de parte do valor que o
País precisa economizar para
diminuir a dependência em
relação aos capitais
estrangeiros, que financiam o
déficit da conta corrente com o
exterior, e para que possa haver
redução da taxa de juros.
Ele explica que
a proposta de prorrogar,
novamente, o Fundo de
Estabilização Fiscal (FEF),
criado em 94 em caráter de
"emergência", se deve
ao fato de que se trata de um
importante mecanismo de
desvinculação de recursos ao
Governo Federal. "Essa
mudança de alíquota (de 20%
para 40%) não tem a ver com os
Estados e com os municípios, mas
com a necessidade de
flexibilização do uso dos
recursos", disse ele,
acrescentando que essa discussão
está sendo adiada, uma vez que
em 99 o FEF ainda estará em
vigência.
CORTES NO
ORÇAMENTO - Ele destacou que
a equipe econômica já pode
indicar os cortes nos Orçamentos
de 2000 e 2001, mesmo faltando
tanto tempo para que sejam
apresentados ao País,
baseando-se na revisão da
proposta de Orçamento para 99 e
de parâmetros da economia -
inflação, crescimento do PIB
etc. - para as projeções de
receita e despesa. "Isso nos
permite demonstrar a necessidade
de manter os gastos nos anos 2000
e 2001 no mesmo nível do de 99.
Não haverá corte adicional a
cada ano", enfatizou o
secretário-executivo.