SANTA CRUZ IV
Chega
de perderpor IVANILDO SAMPAIO*
Os que têm um
pouco mais de idade, entre os
quais me incluo, já viram o
Santa Cruz Futebol Clube, honra e
glória do futebol de Pernambuco,
viver dias muito mais gloriosos:
por exemplo, a gente apostava de
quanto ia ganhar dos times
"lá de cima",
incluindo-se daí desde Sergipe
até Manaus. Saudosismo? Talvez.
Saudosismo,
como pernambucano, de uma época
em que o Clube Náutico
Capibaribe ganhava em Pernambuco
campeonatos seguidos; em que o
Sport tinha uma equipe juvenil
onde estavam Manga, Alemão,
Almir e Mainha; onde o Santa Cruz
se dava ao luxo de ter na equipe
titular desde Anibal, um dos
maiores goleiros do futebol
brasileiro, até Aldemar,
Zequinha e Rinaldo, que - mesmo
indo depois para o Náutico -
vestiram a camisa da Seleção.
E agora? Agora,
essa massa tricolor sem nome nem
rosto, sofre sem saber o que
fizeram do seu time e de suas
glórias - de gente que suava a
camisa, como Gildo, Nagel,
Canhoteiro e outros que se
criaram no velho "alçapão
do Arruda" - e se pergunta
por que se macula aquele velho
uniforme das três listas, quando
nada uma camisa absolutamente
molhada de suor e amor.
Sou tricolor,
pois não. E me dói ver o meu
time de coração (clube é outra
coisa) padecer tão grande
pecado: o pecado de escolher mau
seus dirigentes, de tentar e não
conseguir fazer um time de
futebol há quase 20 anos, de
levar a nova geração, onde se
inclui meu filho, cansar de
chegar em casa com a bandeira
tricolor enrolada e coberta de
vergonha, depois de ter perdido
mais um jogo no estádio do
Arruda.
Jogamos hoje -
se não mais uma partida, pelo
menos a redenção de nossa
vergonha: perder para o Paysandu
é somente pedir a fatura final
do nosso balanço e de nossa
vergonha.
* Ivanildo
Sampaio é um tricolor indignado