SAÚDE
Até
onde vai o poder da medicina
alternativapor LUIZ CLAUDIO
FERREIRA
A decisão do
Conselho Federal de Medicina
(CFM) de proibir os médicos de
usarem e prescreverem pelo menos
cem terapias alternativas não
está modificando os hábitos dos
principais interessados: os
pacientes. O que acontece agora
é que as pessoas recorrem
somente aos terapeutas ou se
auto-medicam. Quem estava obtendo
resultados satisfatórios com
alguma prática alternativa
dificilmente vai deixar de
usá-la. Pelo contrário, esses
tratamentos não-convencionais
ganham novos adeptos todos os
dias, que em grande parte das
vezes se arrependem apenas de
não terem começado antes.
Como no caso de
Felipe de Souza, de 4 anos. O
garoto sofria de problemas
respiratórios crônicos,
inclusive com crises de
broncopneumonia, tratados durante
mais de dois anos com
antibióticos. A mãe dele, a
produtora de eventos Valéria de
Souza, diz que esse tratamento
alopático surtia efeitos apenas
temporários. Há seis meses o
garoto passou a tomar os florais
- a prática alternativa mais
utilizada no Brasil.
"Depois de
uma semana, Felipe já estava
muito melhor, forte e sofrendo
bem menos. Até ficar totalmente
curado, ele não vai deixar de
tomar os florais", garante
Valéria. Para continuar o
tratamento, ela mesmo vai
"medicar" o menino, ou,
em caso de crises, procurar um
terapeuta no Recife. "É
lamentável que haja essa
proibição. O médico dele
controlava e conhecia muito bem o
quadro".
Além do efeito
rápido, outra vantagem que
Valéria aponta para os florais
é o preço. "Num mês não
gasto mais do que R$ 40,00".
A conta é pequena se comparada
às despesas com os
antibióticos. "Era um drama
ir até à farmácia. Mensalmente
nunca pagava menos de R$
150,00".
O médico de
Felipe é o clínico-geral Marco
Menelau. Há quatro anos
utilizando os florais, ele
garante que vem colecionando
somente resultados positivos.
Considera que os casos medicados
por ele que tiveram as melhores
evoluções, inclusive com cura,
foram os de gastrite, dores
musculares, insônia e
depressão. Se bem que o médico
afirma que toda doença pode ser
tratada com florais, mesmo as
mais graves, como câncer e Aids.
"O
objetivo dos florais, que é o
mesmo de todas as terapias
alternativas, é tratar do doente
e não da doença. Para um mesmo
problema, podem haver várias
alternativas diferentes de
tratamento", explica o
médico. Ele diz que já
prescreveu florais para pelo
menos 300 pessoas, inclusive em
cidades do interior de
Pernambuco. "Tive 100% de
sucesso. Porém, agora, como
médico, vou obedecer à
resolução do CFM",
informa.
Não é para
menos. O médico que não
obedecer e continuar tratando
pacientes com as técnicas
alternativas responderá a um
processo administrativo e pode
ter, inclusive, o diploma
cassado. Marco Menelau não só
medicava com florais como estava
criando o próprio sistema de
pesquisa. "Estava
trabalhando apenas com flores
tipicamente nordestinas",
diz.
ENERGIA -
Não foi exatamente uma doença
que fez a advogada Ana Guedes, de
42, também procurar os florais.
"Estava desanimada e sem
estímulo com o dia-a-dia".
Depois de recorrer à terapia,
afirma que ficou com energia
redobrada. "É uma mudança
interna muito forte. Mas acho
até que comecei do jeito
errado".
Ela conta que
uma taróloga foi a primeira
pessoa a lhe prescrever os
florais. "Quando passei por
um médico, que adotava a
técnica, vi que não há nada de
místico nessa história. O
problema é que a medicina
convencional ainda não conseguiu
explicar por que os resultados
são tão bons", argumenta.
A advogada
também não pretende deixar de
tomar os florais. Vai recorrer
aos seus próprios conhecimentos
pelo tempo que se medica por essa
técnica. Isso porque não pode
mais receber a receita do seu
médico, o homeopata Marcos
Cavalcanti. Ele, por sua vez,
enxerga uma luz no fim do túnel
com essa proibição.
"Toda essa
polêmica pode levar a questão a
um tratamento mais profundo. São
milhões de pessoas
interessadas". Cavalcanti
pondera que o médico
profissional teria mais
condições e conhecimentos para
trabalhar com as terapias
alternativas. "Afinal, o
médico estuda tanto tempo para
conhecer as reações do corpo
humano. Se uma técnica, qualquer
que seja, está apresentando
resultados satisfatórios, por
que não pesquisam mais antes de
proibir?".
POR QUE? -
O presidente do Conselho Regional
de Medicina de Pernambuco
(Cremepe), Jurandir Dantas,
explica que a decisão do CFM é
um alerta aos médicos.
"Não se pode prescrever um
tratamento que não está
cientificamente comprovado. Vai
contra a ética profissional.
Caso alguém o faça, responderá
a um processo para que seja
avaliada a gravidade de sua
conduta", adverte. Ele diz
que essa decisão incide apenas
sobre o comportamento do médico.
"Não cabe ao CFM impor a
idéia sobre outros
orgãos".
Serviço
Marco
Menelau
F.969.2514
Marcos Cavalcanti
F.462.2838
Cremepe
F. 241.5744