..............................................-Jornal do Commercio - Recife, 01 de novembro de 1998

SAÚDE III
Decisão pode prejudicar a comercialização dos florais

Segundo o Sindicato Nacional dos Terapeutas (Sinte), sediado em São Paulo, há mais de 100 mil pessoas que trabalham com florais e pelo menos 30 milhões de usuários no Brasil. Isso quer dizer que no mundo das terapias alternativas os florais são os produtos mais utilizados - e viviam numa verdadeira primavera até sua comercialização terminar virando alvo de polêmicas.

O presidente do Sinte, Henrique Vieira, diz que a decisão do Conselho Federal de Medicina de proibir os médicos de recomendarem o produto repercutiu negativamente, embora tenha um efeito mínimo. "Apenas 10% dos terapeutas são médicos. Inclusive, a intenção de Eduard Bach (o inglês criador do primeiro sistema de florais na década de 30) era de que as próprias pessoas se tratassem", considera.

O médico Marcos Cavalcanti acredita que, com a decisão, deve aumentar a chance de "pessoas despreparadas" prescreverem qualquer tratamento alternativo. O interessado em usar florais, segundo ele, não terá agora qualquer referência de quem entende ou não do assunto. "Essa proibição tem um caráter publicitário muito ruim, principalmente para os florais. Os EUA, por exemplo, têm uma legislação extremamente rígida com as práticas alternativas e lá o produto está regulamentado", diz.

A outra questão que fez algumas farmácias de manipulação deixarem de vender os florais foi a interpretação da Lei 9.677, de 2 de julho deste ano, que proíbe os estabelecimentos de venderem medicamentos que não possuam registro no Ministério da Saúde. O presidente do Sinte rebate afirmando que os florais são reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que, no Brasil, estão devidamente registrados no Ministério da Agricultura como complemento alimentar.

Polêmicas à parte, o proprietário da farmácia homeopática Simília, Luis César Carvalho, preferiu deixar de comercializar os florais. "Trabalhamos na lei. Só vamos vender quando for liberado. Afinal o floral age como remédio". Já em outro estabelecimento de manipulação, Sal da Terra, um dos maiores do ramo, o produto continua sendo normalmente comercializado. A gerente, Neuza Buarque, não sentiu nenhuma diferença no movimento do estabelecimento, que trabalha também com produtos homeopáticos. A farmácia não pede receita médica e é comum até os próprios funcionários prescrevem no ato da venda o floral "adequado" para o cliente. "Quando não podemos ajudar, indicamos um terapeuta", diz.

ÁGUA E ENERGIA - De acordo com o médico Marcos Cavalcanti, os florais não oferecem qualquer efeito colateral. O produto é preparado com determinada flor imersa na água. "Quem analisar o floral verá que existe tão somente na substância: água, extratos e muita energia", explica.

O médico Eduard Bach descobriu que as flores agem de alguma forma no emocional humano. "É exatamente como no caso do soro antiofídico. Quando uma flor provoca medo, por exemplo, a energia que ela passa para a água cura esse sentimento", diz.

Eduard Bach fez o primeiro sistema pesquisando 38 flores - os chamados florais de Bach (veja quadro). No Brasil, os florais chegaram na década de 60, e há dez sistemas de pesquisa em todo o país. (L.C.F.)

Serviço

Sindicato Nacional dos Terapeutas
F.(011)284.2773 ou 0800-117810


     

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