SAÚDE
III
Decisão
pode prejudicar a
comercialização dos floraisSegundo o Sindicato
Nacional dos Terapeutas (Sinte),
sediado em São Paulo, há mais
de 100 mil pessoas que trabalham
com florais e pelo menos 30
milhões de usuários no Brasil.
Isso quer dizer que no mundo das
terapias alternativas os florais
são os produtos mais utilizados
- e viviam numa verdadeira
primavera até sua
comercialização terminar
virando alvo de polêmicas.
O presidente do
Sinte, Henrique Vieira, diz que a
decisão do Conselho Federal de
Medicina de proibir os médicos
de recomendarem o produto
repercutiu negativamente, embora
tenha um efeito mínimo.
"Apenas 10% dos terapeutas
são médicos. Inclusive, a
intenção de Eduard Bach (o
inglês criador do primeiro
sistema de florais na década de
30) era de que as próprias
pessoas se tratassem",
considera.
O médico
Marcos Cavalcanti acredita que,
com a decisão, deve aumentar a
chance de "pessoas
despreparadas" prescreverem
qualquer tratamento alternativo.
O interessado em usar florais,
segundo ele, não terá agora
qualquer referência de quem
entende ou não do assunto.
"Essa proibição tem um
caráter publicitário muito
ruim, principalmente para os
florais. Os EUA, por exemplo,
têm uma legislação
extremamente rígida com as
práticas alternativas e lá o
produto está
regulamentado", diz.
A outra
questão que fez algumas
farmácias de manipulação
deixarem de vender os florais foi
a interpretação da Lei 9.677,
de 2 de julho deste ano, que
proíbe os estabelecimentos de
venderem medicamentos que não
possuam registro no Ministério
da Saúde. O presidente do Sinte
rebate afirmando que os florais
são reconhecidos pela
Organização Mundial de Saúde
(OMS) e que, no Brasil, estão
devidamente registrados no
Ministério da Agricultura como
complemento alimentar.
Polêmicas à
parte, o proprietário da
farmácia homeopática Simília,
Luis César Carvalho, preferiu
deixar de comercializar os
florais. "Trabalhamos na
lei. Só vamos vender quando for
liberado. Afinal o floral age
como remédio". Já em outro
estabelecimento de manipulação,
Sal da Terra, um dos maiores do
ramo, o produto continua sendo
normalmente comercializado. A
gerente, Neuza Buarque, não
sentiu nenhuma diferença no
movimento do estabelecimento, que
trabalha também com produtos
homeopáticos. A farmácia não
pede receita médica e é comum
até os próprios funcionários
prescrevem no ato da venda o
floral "adequado" para
o cliente. "Quando não
podemos ajudar, indicamos um
terapeuta", diz.
ÁGUA E
ENERGIA - De acordo com o
médico Marcos Cavalcanti, os
florais não oferecem qualquer
efeito colateral. O produto é
preparado com determinada flor
imersa na água. "Quem
analisar o floral verá que
existe tão somente na
substância: água, extratos e
muita energia", explica.
O médico
Eduard Bach descobriu que as
flores agem de alguma forma no
emocional humano. "É
exatamente como no caso do soro
antiofídico. Quando uma flor
provoca medo, por exemplo, a
energia que ela passa para a
água cura esse sentimento",
diz.
Eduard Bach fez
o primeiro sistema pesquisando 38
flores - os chamados florais de
Bach (veja quadro). No Brasil, os
florais chegaram na década de
60, e há dez sistemas de
pesquisa em todo o país. (L.C.F.)
Serviço
Sindicato
Nacional dos Terapeutas
F.(011)284.2773 ou 0800-117810