PROBLEMAS
RESPIRATÓRIOS
Poluição
da vida moderna leva a um aumento
dos casos de asmaUtilizar máscara e
nebulizador para mandar
medicamento direto para os
pulmões, através do vapor, é
uma prática tão comum quanto
fazer lição de casa para a
estudante Giovana Martorelli, de
12 anos. Desde os seis meses de
idade, ela sofre de asma, uma
doença sem cura que atinge de 8%
a 10% da população mundial - na
maioria absoluta dos casos (cerca
de 70%), crianças de até 7 anos
de idade. Elas nem sabem que uma
das grandes responsáveis pelo
problema é esta tal de vida
moderna, que encobre as cidades
de fumaça, e enclausura as
pessoas em casas cheias de
poeira.
Resultado:
jovens obrigados pela doença a
amadurecer antes do tempo,
preparando-se para enfrentar (e
tentar evitar) as situações
adversas provocadas pela asma.
Giovanna, por exemplo, não faz
uma viagem sem levar junto o kit
que a socorre em crises de falta
de ar. Nos dias quentes, tem de
se controlar e lembrar que não
pode exagerar nos sorvetes e nas
bebidas (con)geladas - que a
maioria adora - para não pegar
uma gripe. "As crises são
piores quando eu fico
resfriada", explica a
estudante. Giovanna não passa,
porém, o eterno verão
pernambucano "a seco".
Pratica natação uma vez por
semana, esporte recomendado pelos
médicos para aumentar a
capacidade pulmonar.
Nadar também
é a estratégia do estudante
Zivaldo Carvalho, de 14 anos, 7
de asma, que também utiliza o
nebulizador contra suas crises,
que já foram freqüentes (pelo
menos duas por semana) e sempre
mobilizaram a família inteira. A
mãe dele, a bancária Emília
Carvalho, explica que muitas
vezes o garoto foi obrigado a
faltar às aulas da escola e
parar no meio do futebol com os
amigos. "Ele acabava ficando
chateado de cansar-se antes dos
outros", afirma Emília.
De acordo com o
médico que o assiste, o
alergista Antônio Aguiar Filho,
a asma do garoto está
"controlada",
expressão que significa que as
crises são cada vez mais raras.
"Nunca o paciente pode dizer
que está curado. Ele deve
permanecer sempre atento. Mesmo
que tenha apenas uma crise. Isso
significa que demonstrou
predisposição para a
doença".
MITOS -
Tanto Giovanna como Zivaldo não
utilizam a "bombinha",
forma aerosol de tomar o
medicamento. Suas famílias
receiam que a utilização do
produto provoque alteração de
pressão ou taquicardia. Segundo
Antônio Aguiar Filho, essa
possibilidade hoje já é um
mito. "No passado, alguns
produtos não foram bem indicados
e causaram esses problemas. A
bombinha é a forma mais eficaz
de tratamento", garante.
Outro erro que
sobrevive é a idéia de que a
asma é transmissível de uma
pessoa para outra. "Isso
não existe, é um absurdo.
Ninguém vai contrair a doença
pelo contato com alguém que
tenha predisposição para o
problema (o asmático)",
enfatiza o médico.
Esse tipo de
"mito", segundo o
alergista, ainda tem espaço
porque a própria medicina não
descobriu tudo sobre a doença -
que consiste na obstrução
temporária para a passagem de ar
- e também porque muitas
pesquisas são recentes. O certo
é que os cientistas estão cada
vez mais preocupados com o
aumento da incidência da
doença. Prova disso é a
realização do Congresso Mundial
de Asma, em Barcelona (Espanha)
no início de dezembro, do qual
Antônio Aguiar Filho será um
dos brasileiros a participar.
A asma é
provocada pelo estreitamento das
vias respiratórias e causada por
uma condição inflamatória
crônica. As crises podem ser
iniciadas por fumaça, pêlo de
animais ou qualquer outro
componente alérgico que atinge
pessoas que possuem
predisposição para a doença.
Além disso, é
certo que a hereditariedade é
uma das causas que leva a alguém
ser asmático, só que existem
muitas outras que ainda não são
conhecidas. "Uma das
constatações é que o modo de
vida das pessoas está
interferindo diretamente nos
casos de asma. É grande o
número de pessoas sedentárias
que me procura no
consultório", afirma
Antônio Aguiar Filho.
Como
especialista de todas as doenças
respiratórias, ele garante que
vem aumentando especificamente o
número de casos de asma em
relação às outras
complicações. "Hoje, 60%
das pessoas que eu recebo estão
com asma. Há uns três anos,
esse índice não passava de 30%.
As cidades estão cada vez mais
poluídas e o ar, escasso",
diz.
CIMENTO -
A asma, vilã que tem como alvo
preferencial as crianças, atinge
também adultos em qualquer
idade. O comerciante João
Ribeiro, de 62 anos, sofre da
doença "há uns 30
anos".
O problema é
que sua atividade comercial da
vida inteira não é a mais
indicada para quem tem asma:
trabalha num armazém de material
de construção, mexendo
diariamente com areia, cal,
cimento e afins. "O
importante é estar com o kit (de
medicamentos) sempre à mão. Um
dia espero que meu médico me dê
alta", afirma Ribeiro. (L.C.F.)
Serviço
Antônio
Aguiar Filho F. 432.6628