TELECOMUNICAÇÕES II
Futuro
da telefonia pode estar na iNetpor BENIRA MAIA
benira@jc.com.br
VoIP. Essas
quatro letras representam a
"mágica" que
pesquisadores, usários,
provedores e empresas de
telefonia e de tecnologia de
redes têm sonhado, centrado foco
e investido alguns milhões de
dólares. O termo significa
literalmente "Voz sobre
IP" e traduz a possibilidade
de utilizar a Internet para
ligações telefônicas. Na
prática, aponta para um futuro
onde todas as chamadas de um
usuário doméstico - mesmo entre
Olinda e o Egito, por exemplo -
se transformem em ligações
locais. Aponta também para um
cenário onde empresas
interligadas em redes próprias
não mais pagarão por seus
telefonemas.
O futuro da
telecomunicação utilizando o
protocolo da IP (Internet
Protocol) já está sendo
traçado pelas empresas - tanto
as desenvolvedoras quanto as
pretendentes a usuárias.
Pesquisa divulgada pela 3Com,
vice-líder mundial do segmento
de redes, indica que, em 2001,
firmas de equipamentos e
soluções para a telefonia IP
vão faturar em torno de US$ 4,2
bilhões. Dados da IDC mostram
que as empresas somarão, nos
próximos três anos, um
faturamento de quase US$ 20,5
bilhões. "O mercado é
grande e abre novas
perspectivas", afirma o
diretor de Marketing da 3Com no
Brasil, Anderson André.
A utilização
do IP para a telefonia está
definido pela União
Internacional de
Telecomunicações (ITU) na norma
H323. Na prática, fica permitida
a comunicação telefone para
computador - esse terá que
possuir com kit multimídia;
computador para telefone; e
computador para computador. A
comunicação é estabelecida por
uma porta de entrada, o gateway.
Com placas decodificadoras, essa
CPU transforma o sinal de voz na
comunicação digital dos
computadores e vice-versa.
Com um gateway
em cada escritório fazendo a
ponte entre o servidor e a
central telefônica, uma empresa
que tenha suas filiais
interligadas em rede poderá
comunicar-se internamente. Nesse
caso, estará arcando apenas com
sua estrutura de rede de dados -
a maioria aluga linha privativa
à operadora de
telecomunicações. Atualmente, a
Telpe cobra R$ 1.933,30 por um
link de 64 Kbps saindo do Recife
para Caruaru; para Petrolina, a
mensalidade fica em R$ 3.068,41.
No caso de uma linha de 2 Mbps,
os valores sobem - para Caruaru
varia de pouco mais de R$ 20 mil
para R$ 24,5 mil.
O valor de um
link dedicado é caro? Para a
empresas que já usam rede de
dados, poder trafegar voz por
esse mesmo canal soa como um
sinal de redução de custos.
Porque, com rede privada e a voz
em IP, o gasto com os telefonemas
internos entre as filiais ficaria
zero. A Caixa Econômica Federal
prevê em seu novo projeto de
informatização que os
telefonemas dados entre as suas
centrais sejam pela rede de
dados, gerando uma economia alta.
Somente no prédio do Cais da
Guararapes, no Recife, a conta
telefônica foi quase R$ 47 mil
no mês passado. "O uso do
VoIP era para ontem", diz,
entusiasmado, o supervisor de
Suporte Tecnológico da CEF em
Pernambuco, Augusto Maranhão.
Com vinte
circuitos Transdata, da Embratel,
ligando as filiais à sede, no
Rio de Janeiro, a Unisys está
empolgada com a possibilidade de
telefonar via protocolo da
Internet. Hoje a empresa usa
multiplexadores que comprimem e
decodificam a voz, mas os
gateways para IP surgem como
alternativa mais barata.
"Vamos ter uma economia
anual de cem mil reais",
estima o gerente de
Telecomunicações da empresa,
Dirley Freitas.
A Unisys
pretende utilizar soluções da
norte-americana Micon. Para
começar a operar no primeiro
trimestre de 99, já iniciou
testes entre Rio e Manaus.
Segundo Freitas, o efeito de
latência (atraso na voz) foi de
200 milesegundos - equivalente a
1/5 de um segundo - e a meta é
ficar entre 90 a 100. "Mas,
como a rede é minha, posso
controlar, reservando mais
largura de banda, por
exemplo", afirma.
Dona de uma
rede própria interligando
Ceará, Pernambuco e Bahia - não
paga aluguel de linha -, a
Companhia Hidro Elétrica do São
Francisco (Chesf) também tem
planos de telefonar via IP.
"Até o final do ano,
estaremos começando os
testes", conta o gerente da
Divisão de Expansão de
Telecomunicações, Herivélton
Macedo. Se não há economia de
recurso, para que trafegar a voz
junto à rede de dados?
"Estaremos trabalhando com
uma interface única",
resume o engenheiro George
Spencer.
A VoIP não
passa despercebida nos meios
acadêmicos. O Departamento de
Informática da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE)
busca uma parceria com empresas
que desenvolvam soluções nessa
área. A idéia está sendo
levada a cabo pelo especialista e
professor da cadeira de redes
Djamel Sadok. O professor quer
desenvolver um projeto piloto com
VoIP. "Queremos experimentar
a segurança e a qualidade dessas
ligações, além de desenvolver
e testar algumas
aplicações", afirma.