EVENTO III
Teletrabalho
deixa funcionário em casaTrânsito, calor,
poluição, engarrafamento e mau
humor são o pesadelo de quem
vive nas grandes cidades e
precisa se deslocar para o
trabalho diariamente. O homem
também já pensou em uma
fórmula para resolver esse
problema, aliado à tecnologia,
claro! O Telecommuting, também
chamado por teletrabalho, velho
conhecido dos americanos, começa
a ser discutido no Brasil.
O assunto foi
levantado por Álvaro Augusto
Mello, diretor da empresa Brasil
Entrepreneur, de São Paulo, na
Infoimagem'98. O conceito é
criar um ponto de apoio para que
o empregado trabalhe em casa, ou
perto dela, diminuindo o tempo
gasto durante a locomoção,
estressando menos o funcionário,
aumentando sua produtividade e
ganhando espaço físico na
empresa. Ou seja, com o
telecommuting leva-se o trabalho
ao funcionário, não o
contrário.
O teletrabalho
é a substituição total ou
parcial das viagens com a
utilização da tecnologia. Fax,
telefone, PC, laptop, modem,
gerenciamento eletrônico de
documentos (GeD) e workflow têm
se mostrado bons parceiros dos
"empregados à
distância".
Nos Estados
Unidos, dos 140 milhões de
pessoas empregadas, 42,5 milhões
trabalham em casa. No Brasil,
empresas como a Xerox e Kodak já
utilizam-se do novo conceito.
"Tudo depende de muita
negociação entre empresas,
sindicatos e funcionários.
Afinal, as leis trabalhistas são
arcaicas e não reconhecem esse
novo vínculo
empregatício", explica
Mello.
A idéia parece
ótima para muitos, mas pode ser
uma faca de dois gumes. Algumas
pessoas reconhecem que trabalhar
em casa pode ser mais estressante
que no escritório, "Desisti
da idéia quando percebi que
virei dona de casa, já que minha
mulher trabalha fora e eu tinha
que quebrar todos os galhos de
casa", revelou um dos
participantes do congresso.
DISCIPLINA -
Segundo Mello, a idéia requer
disciplina e muito auto-controle.
Ele contou o caso de um advogado
famoso que, para não ser visto
como um desocupado pelos filhos e
manter o conceito de "chefe
de família", vestia terno e
gravata para trabalhar, mesmo que
seu escritório ficasse ao lado
da sala de estar.
Mello aconselha
muito estudo antes da
implementação da idéia nas
empresas. Segundo ele, o ideal é
que se escolha um pequeno número
de funcionários que acreditem em
seu potencial e auto-disciplina.
A partir daí, cria-se um projeto
de implantação, estudo dos
benefícios, elaboração de
programas de treinamento, como
implantar e como se adaptar às
leis trabalhistas. "A
implantação do telecommuting
pode não ser fácil, mas é
gratificante e muito lucrativo
ter funcionários menos
estressados e mais
produtivos", conclui.