- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 28 de outubro de 1998

EVENTO III
Teletrabalho deixa funcionário em casa

Trânsito, calor, poluição, engarrafamento e mau humor são o pesadelo de quem vive nas grandes cidades e precisa se deslocar para o trabalho diariamente. O homem também já pensou em uma fórmula para resolver esse problema, aliado à tecnologia, claro! O Telecommuting, também chamado por teletrabalho, velho conhecido dos americanos, começa a ser discutido no Brasil.

O assunto foi levantado por Álvaro Augusto Mello, diretor da empresa Brasil Entrepreneur, de São Paulo, na Infoimagem'98. O conceito é criar um ponto de apoio para que o empregado trabalhe em casa, ou perto dela, diminuindo o tempo gasto durante a locomoção, estressando menos o funcionário, aumentando sua produtividade e ganhando espaço físico na empresa. Ou seja, com o telecommuting leva-se o trabalho ao funcionário, não o contrário.

O teletrabalho é a substituição total ou parcial das viagens com a utilização da tecnologia. Fax, telefone, PC, laptop, modem, gerenciamento eletrônico de documentos (GeD) e workflow têm se mostrado bons parceiros dos "empregados à distância".

Nos Estados Unidos, dos 140 milhões de pessoas empregadas, 42,5 milhões trabalham em casa. No Brasil, empresas como a Xerox e Kodak já utilizam-se do novo conceito. "Tudo depende de muita negociação entre empresas, sindicatos e funcionários. Afinal, as leis trabalhistas são arcaicas e não reconhecem esse novo vínculo empregatício", explica Mello.

A idéia parece ótima para muitos, mas pode ser uma faca de dois gumes. Algumas pessoas reconhecem que trabalhar em casa pode ser mais estressante que no escritório, "Desisti da idéia quando percebi que virei dona de casa, já que minha mulher trabalha fora e eu tinha que quebrar todos os galhos de casa", revelou um dos participantes do congresso.

DISCIPLINA - Segundo Mello, a idéia requer disciplina e muito auto-controle. Ele contou o caso de um advogado famoso que, para não ser visto como um desocupado pelos filhos e manter o conceito de "chefe de família", vestia terno e gravata para trabalhar, mesmo que seu escritório ficasse ao lado da sala de estar.

Mello aconselha muito estudo antes da implementação da idéia nas empresas. Segundo ele, o ideal é que se escolha um pequeno número de funcionários que acreditem em seu potencial e auto-disciplina. A partir daí, cria-se um projeto de implantação, estudo dos benefícios, elaboração de programas de treinamento, como implantar e como se adaptar às leis trabalhistas. "A implantação do telecommuting pode não ser fácil, mas é gratificante e muito lucrativo ter funcionários menos estressados e mais produtivos", conclui.


 

 

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