REFORMA AGRÁRIA
II
MST
já criou cooperativa de
assentadosO otimismo do Incra em
relação ao futuro Assentamento
Catalunha é compartilhado pelo
MST, que planeja trabalhar com
base no cooperativismo e
agroindústria. "Queremos
agregar valor aos produtos",
diz o coordenador Milton Levy,
esperando que os projetos sejam
fruto de um consenso entre o
Incra e o Ministério
Extraordinário da Política
Fundiária. Segundo o
superintendente adjunto do
Incra-PE, Abdias Vilar, a grande
preocupação é capacitar os
assentados para que possam
utilizar, com o máximo de
eficiência, a infra-estrutura de
irrigação. "Após a
desapropriação, duas equipes
especiais do projeto Lumiar (de
assistência técnica aos
assentamentos) vão atuar com os
agricultores", adianta.
O MST já se
adiantou, fundando, há dois
meses, a Cooperativa dos
Assentados de Catalunha, que vem
gerenciando os 130 hectares de
uva e manga há um mês,
inclusive, com a primeira
colheita parcial já vendida.
Parte do cultivo de uva está
infestada de pragas e o plantio
de mangas, sem produção,
precisa de tratos específicos
que exigem recursos extra.
Segundo a agrônoma Iane Lima
Nunes, 25, ligada à Cooperativa
Central do MST, que, há dois
meses, assessora os acampados em
Catalunha com outros três
técnicos, a saída é partir
para as culturas de ciclo curto,
como melancia milho e tomate, bem
menos onerosas.
Para a
agrônoma, a meta de fazer a
fazenda produzir vai exigir
investimentos em insumos,
transportes, assistência
técnica, comunicações e a
capacitação dos agricultores.
"O nível educacional é
baixo e as culturas de uva e
manga exigem
especialização", avalia
ela, que aposta na caprinocultura
nos quatro mil hectares de
sequeiro.