- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 29 de outubro de 1998

TOULOUSE
Para deslumbrar-se com a arte francesa

por RENATA REYNALDO
Correspondente

TOULOUSE - O patrimônio artístico e cultural de Toulouse pode ser verificado, para começo de visita, com um rápido passeio pelo centro da cidade. Numa distância de aproximadamente 500 metros entre cada um desses pontos - os mais visitados - o turista tem a oportunidade de conhecer, a pé mesmo, o Capitolio, a basílica de Saint-Sernin e o Hôtel d'Assezat. O Capitolio, que está localizado na praça de mesmo nome e para onde parecem seguir todas as ruas da chamada Ville Rose, tem uma fachada retilínea do século 18 que é um perfeito exemplo da arquitetura clássica.

É lá onde estão sediadas a administração da cidade e a famosa Orquestra Nacional do Capitolio, dirigida pelo não menos renomado maestro Michel Plasson. Para aqueles que querem ver além da fachada, o prédio abriga, ainda, salas com exposições permanentes de quadros, sempre abertas aos visitantes. Apenas ficar na praça, olhando o movimento dos jovens indo e vindo - sempre com muita pressa - é uma boa opção. Há, também, nas quartas-feiras, a feira de artigos diversos, como alimentícios e roupas, vendidos a preços bem acessíveis.

O Hôtel d'Assezat, onde funciona a Fundação Bemberg, oferece, simplesmente, uma das maiores coleções de arte privada do mundo. Mantida por um milionário de origem alemã, mas que vive na Argentina, e com a ajuda de doações (na Europa tem dessas coisas), esse patrimônio de impressionante beleza arquitetônica é recheado por quadros de Matisse, Gauguin, Bonnard e Degas, entre outros ilustres representantes da pintura européia, além de mobílias do século 18 e esculturas. Uma visita guiada ao museu (indispensável) custa 48 FF, o que equivale, na nossa moeda, a aproximadamente R$ 11,00.

Por fim, mas não esgotando as opções de visitas na cidade, há a basílica de Saint-Sernin, um belíssimo (tudo em Toulouse é mesmo superlativo) exemplar da arquitetura romana dos séculos 12 e 13. No entorno dessa igreja, cuja torre mede nada menos que 60 metros e conta com 22 sinos, ocorrem, sempre aos domingos, os famosos Marches aux Puces franceses (ao pé da letra siginifica mercados de pugas), onde o visitante pode comprar produtos tunisianos, marroquinos e árabes, além de antiguidades e quinquilharias inusitadas. Um passeio por essa feira é uma experiência imperdível, tamanha a diversidade cultural que se pode experimentar. Mas, cuidado com os preços. Procure não dar bandeira de turista para não ser explorado.

HISTÓRIA - Mas, mais do que uma cidade com importantes monumentos históricos, Toulouse, nua e crua, já é linda. Desfrutar dessa cidade é uma tarefa muito simples. Basta caminhar lentamente por suas ruelas e olhar para os lados e para cima. Seus prédios, construídos na sua maioria com tijolos de cor ocre (daí a denominação de Ville Rose) nos reportam às páginas dos livros de História, aquelas que contam as invasões dos Vândalos na Europa, que no início do século 5 devastaram Toulouse, e dos povos Visigodos, que a restauraram e a tomaram como capital, já no final dos anos 500 d.C..

"Durante o passeio pela cidade, o difícil é conter o impulso de adentrar pelos enormes portões de ferro que abrem (ou fecham) o acesso aos chamados "hotels particulares". São apartamentos fincados em palacetes, cujas fachadas expõem a estrutura de madeira que sustenta a edificação e nos levam a imaginar uma sucessão de cenas das alcovas medievais. A título de recomendação, o melhor mesmo a se fazer é controlar o desejo e se contentar com uma olhada de fora. Como em toda a França, na cidade de Toulouse o que é particular é considerado estritamente privado.


     

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