TOULOUSE
Para
deslumbrar-se com a arte francesapor RENATA REYNALDO
Correspondente
TOULOUSE -
O patrimônio artístico e
cultural de Toulouse pode ser
verificado, para começo de
visita, com um rápido passeio
pelo centro da cidade. Numa
distância de aproximadamente 500
metros entre cada um desses
pontos - os mais visitados - o
turista tem a oportunidade de
conhecer, a pé mesmo, o
Capitolio, a basílica de
Saint-Sernin e o Hôtel
d'Assezat. O Capitolio, que está
localizado na praça de mesmo
nome e para onde parecem seguir
todas as ruas da chamada Ville
Rose, tem uma fachada retilínea
do século 18 que é um perfeito
exemplo da arquitetura clássica.
É lá onde
estão sediadas a administração
da cidade e a famosa Orquestra
Nacional do Capitolio, dirigida
pelo não menos renomado maestro
Michel Plasson. Para aqueles que
querem ver além da fachada, o
prédio abriga, ainda, salas com
exposições permanentes de
quadros, sempre abertas aos
visitantes. Apenas ficar na
praça, olhando o movimento dos
jovens indo e vindo - sempre com
muita pressa - é uma boa
opção. Há, também, nas
quartas-feiras, a feira de
artigos diversos, como
alimentícios e roupas, vendidos
a preços bem acessíveis.
O Hôtel
d'Assezat, onde funciona a
Fundação Bemberg, oferece,
simplesmente, uma das maiores
coleções de arte privada do
mundo. Mantida por um milionário
de origem alemã, mas que vive na
Argentina, e com a ajuda de
doações (na Europa tem dessas
coisas), esse patrimônio de
impressionante beleza
arquitetônica é recheado por
quadros de Matisse, Gauguin,
Bonnard e Degas, entre outros
ilustres representantes da
pintura européia, além de
mobílias do século 18 e
esculturas. Uma visita guiada ao
museu (indispensável) custa 48
FF, o que equivale, na nossa
moeda, a aproximadamente R$
11,00.
Por fim, mas
não esgotando as opções de
visitas na cidade, há a
basílica de Saint-Sernin, um
belíssimo (tudo em Toulouse é
mesmo superlativo) exemplar da
arquitetura romana dos séculos
12 e 13. No entorno dessa igreja,
cuja torre mede nada menos que 60
metros e conta com 22 sinos,
ocorrem, sempre aos domingos, os
famosos Marches aux Puces
franceses (ao pé da letra
siginifica mercados de pugas),
onde o visitante pode comprar
produtos tunisianos, marroquinos
e árabes, além de antiguidades
e quinquilharias inusitadas. Um
passeio por essa feira é uma
experiência imperdível, tamanha
a diversidade cultural que se
pode experimentar. Mas, cuidado
com os preços. Procure não dar
bandeira de turista para não ser
explorado.
HISTÓRIA -
Mas, mais do que uma cidade com
importantes monumentos
históricos, Toulouse, nua e
crua, já é linda. Desfrutar
dessa cidade é uma tarefa muito
simples. Basta caminhar
lentamente por suas ruelas e
olhar para os lados e para cima.
Seus prédios, construídos na
sua maioria com tijolos de cor
ocre (daí a denominação de
Ville Rose) nos reportam às
páginas dos livros de História,
aquelas que contam as invasões
dos Vândalos na Europa, que no
início do século 5 devastaram
Toulouse, e dos povos Visigodos,
que a restauraram e a tomaram
como capital, já no final dos
anos 500 d.C..
"Durante o
passeio pela cidade, o difícil
é conter o impulso de adentrar
pelos enormes portões de ferro
que abrem (ou fecham) o acesso
aos chamados "hotels
particulares". São
apartamentos fincados em
palacetes, cujas fachadas expõem
a estrutura de madeira que
sustenta a edificação e nos
levam a imaginar uma sucessão de
cenas das alcovas medievais. A
título de recomendação, o
melhor mesmo a se fazer é
controlar o desejo e se contentar
com uma olhada de fora. Como em
toda a França, na cidade de
Toulouse o que é particular é
considerado estritamente privado.