- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 29 de outubro de 1998

ORIENTE
Os muitos perfis da exótica Tailândia

por CLEIDE CAVALCANTE
Agência Estado

Exótica, alegre, mística... Assim é a Tailândia. Templos budistas dividem espaço com construções modernas, enquanto elefantes cruzam as ruas congestionadas ao lado de carros Toyotas e Hondas. E não se surpreenda se de repende aparecer um monge fumando, é apenas uma daquelas coisas que não dá para explicar neste lado do globo. Falando em religião, em novembro acontece mais um festival sagrado tailandês. Sem dúvida, visitar a Tailândia é mais do que fazer uma viagem é, no mínimo, viver uma aventura inesquecível.

Esta é uma boa época para ir para a Tailândia. É que no inverno, entre novembro e março, a temperatura costuma ser mais agradável. No verão, chove muito. O país recebe, em média, oito milhões de turistas das mais diferentes nacionalidades que vão em busca da magia tailandesa. Coisa que só pode ser explicada realmente por quem já esteve lá.

A capital Bangcoc (cujo significado é Cidade dos Anjos) é o mais perfeito exemplo de ecletismo cultural e social. O trânsito é caótico, motos, ônibus, bicicletas e centenas de "tuc-tuc" (triciclos motorizados - uma versão moderna das antigas charretes puxadas por homens) lotam as ruas praticamente todo o dia. Sem contar o grande número de camelôs que andam de um lado para o outro com suas mercadorias expostas em cestas penduradas numa vara de bambu. O resultado é muita poluição no ar. O Chinatown é bem desenvolvido, abriga cerca de 11% dos habitantes da cidade, e é o lugar certo para comprar souvenirs bem baratinhos. Claro, há os restaurantes chineses, que podem ser boa opção para variar o cardápio.

A religião predominante é o budismo, e Bangcoc é conhecida por guardar alguns dos mais bonitos templos do mundo. O turista vai ouvir muito a palavra "vat", que tem um significado bem amplo. A primeira tradução seria templo, mas para o tailandês vat também pode representar fé, educação e respeito ao mundo dos mortos. É nos templos que se pode entrar em contato com a verdadeira essência da cidade e seu povo.

São milhares espalhados por todo lado, aproximadamente 30 mil no país. O mais visitado é o Vat Po. Em seu interior, a suntuosa imagem do Buda Deitado, com 46 metros de comprimento, 15 de altura e banhado a ouro, surpreende. Outro exemplo de devoção é a escultura do Buda de Esmeralda, feita em jade (pedra garimpada na cidade vizinha, Birmânia), do suntuoso Vat Phra Keo. O Vat Saket, chamado pelos habitantes de "a montanha dourada", também vale ser incluído no passeio. Longe de qualquer luxo, o Vat Phunket tem uma história curiosa.

Diz a lenda que ele foi construído em homenagem a um monge eremita que andava pelas florestas acompanhado por tigres e outros bichos. Na verdade, o templo fica dentro de uma enorme caverna cheia de morcegos e macacos. Em seu interior, há uma grande imagem do buda semi-deitado. Os budistas acreditam que esta é a posição que representa a aproximação do nirvana, ou seja, o estado iluminado.

Em muitos vats os monges ensinam a milenar massagem tailandesa. Entretanto, em Bangcoc a fronteira entre o sagrado e o profano é cada vez mais tênue. A prostituição é tão comum quanto a venda de flores no mercado central. É quando a técnica oriental de massagem, usada para a cura do corpo e da mente, ganha movimentos eróticos nas centenas de casas de massagens, especialmente numa região conhecida como Pat Pong. Nesta mesma área fica o paraíso dos artigos falsificados, como relógios, calculadoras e eletroeletrônicos.

Voltando ao lado religioso, as danças folclóridas, com dançarinas graciosas e devidamente paramentadas, são imperdíveis. Com movimentos ritmados, cada gesto expressa um significado específico. Mesmo sem entender essas coisas, o espírito do espetáculo é o que importa.

Não deixe de ver uma autêntica luta de boxe tailandês em estádios como o Lumpini e o Ratchadammoen. Os tailandeses são fanáticos por jogos e não perdem tempo nas apostas. Vale entrar no clima, se você gosta deste tipo de diversão. Depois, vá conhecer a Mansion, erquida pelo rei Rama V, em 1901. É o maior palácio de madeira do mundo.

Às margens do caudaloso Rio Chao Phraya - que atravessa Bangcoc - fica a sede do antigo Reino do Sião. Ao longo do rio, onde se espalha uma infinidade de casas, desfilam calmamente camponeses em suas simples embarcações. Experimente alugar um barco e fazer um passeio pelo rio, é barato e vale a pena pela paisagem. Outro rio conhecido é o Menam, ou Rio dos Reis.

No roteiro dos viajantes, não pode ficar fora, além dos vats, lugares como o Museu Nacional, que exibe o melhor da arte tai; o Narayanaphand, um centro de artesanato; e algumas cidades do interior. Ao norte, a cidade de Chiang Mai, a segunda maior do país, é o destaque. Dizem que é lá que vivem as mais bonitas mulheres da Tailândia. Quem desejar contemplar belezas naturais, deve seguir até Mae Hong Son, ou Cidade da Neblina, localizada num imenso vale.


     

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