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ARTIGO
A Voz
do Povo
por JOÃO
CARLOS PAES MENDONÇA*
É inegável que o Brasil tem
passado por mudanças profundas
nos últimos anos, de forma ainda
lenta para algumas pessoas, mas
com muita rapidez segundo outras.
Até a Constituição,
finalmente, começa a ser
mudada... e isso, há não muito
tempo, parecia quase impossível.
Mas nem todos gostam da forma ou
da direção dessas mudanças. E
há quem prefira mudança
nenhuma.
Tem gente que não gosta do
Plano Real, que acha que ele
está todo errado, que gostaria
que o Brasil continuasse sem
privatização, com enormes
barreiras alfandegárias para
proteger a totalidade da
produção nacional, inflação
de 30% ou 40% ao mês, pacotes
econômicos a toda hora,
desorganização, ou seja, do
jeito que era até alguns poucos
anos atrás, quando uma boa
quantidade de jovens brasileiros
só pensava em maneiras de
emigrar para o primeiro mundo,
nem que fosse clandestinamente.
Esses aí devem ter tomado um
susto grande com a recente
pesquisa realizada pelo instituto
Vox Populi, sob encomenda da
Revista Veja, para avaliar a
imagem do Presidente Fernando
Henrique Cardoso perante os
eleitores, ou seja, os cidadãos
do Brasil que já o elegeram uma
vez e que terão ainda este ano a
possibilidade de lhe outorgar um
novo mandato presidencial.
É mesmo para assustar que o
governo FHC tenha obtido um
índice de aprovação de 63%,
especialmente considerando que
está no final do mandato. Não
devem ter sido muitos os governos
brasileiros ou de outros países
que poderiam ostentar notas tão
altas no seu último ano,
especialmente quando se trata de
administrações que tenham sido
geradoras de mudanças e,
portanto, tenham tido que
administrar toda a procissão de
conflitos, ansiedades, tensões
que são inerentes aos processos
de transformação social.
Embora assustados, os
apóstolos do antigo "status
quo" talvez imaginem ainda
que a maioria da população
está enganada e que a razão
está com eles. Algo como aquela
anedota do soldado que fica todo
orgulhoso de estar marchando como
acha certo, enquanto todo o
batalhão marcha do jeito que ele
acha errado. Aí levam novo
susto, quando descobrem que 68%
dos entrevistados na pesquisa
acreditam que o Plano Real veio
para ficar, 74% consideram o
Plano Real melhor que o plano
cruzado (assim mesmo, com letra
minúscula) e 76% declaram que a
sua vida e a da sua família
estão iguais ou melhores do
antes do Real. Além disso,
outras fontes nos dizem que o
Brasil voltou a ser um País
respeitado econômica, política
e culturalmente.
É verdade, não há
unanimidade. Há pessoas cuja
vida tornou-se pior. OS problemas
não foram todos resolvidos, os
salários ainda são baixos, o
setor de saúde continua doente,
apesar da CPMF, o desemprego
agravou-se e é hoje a maior
sombra no horizonte dos
trabalhadores. Mas também é
verdade que o tempo não foi
suficiente para tão grande
tarefa. Os números da pesquisa
deixam transparecer um bom nível
de compreensão dos eleitores
não só quanto às questões
mais relevantes para uma decisão
eleitoral, mas também com
relação ao papel exercido pelo
Presidente da República, que
não é um enviado de Deus para
fazer milagres, que sozinho faria
muito pouco, mas que,
humanamente, tem realizado um
trabalho sério e honesto, com
resultados bastante favoráveis.
E os desafios que ainda existem,
o desemprego entre eles,
certamente pesarão muito no
momento em que esse eleitor tiver
que escolher o homem que deverá
liderar a Nação nos próximos
quatros anos de novas e difíceis
lutas.
* João Carlos Paes
Mendonça é Presidente do Grupo
Bompreço e do Sistema Jornal do
Commercio de Comunicação

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