.......................................................................-..Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  SEM SAÍDA
Iniciado na Câmara o processo para cassação de Sérgio Naya

BRASÍLIA - A Câmara dos Deputados iniciou, ontem, o processo de cassação do deputado Sérgio Naya (PPB-MG), por quebra do decoro parlamentar. A ação foi aberta na Comissão de Constituição e Justiça por determinação do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que teve o apoio unânime dos outros seis integrantes da mesa diretora. "Estou estarrecido", disse Temer.

Sérgio Naya admitira para amigos a possibilidade de renunciar, para fugir das punições, e voltar, no próximo ano, com novo mandato. Mas, a partir da instauração do processo, o ato da renúncia tornou-se inútil do ponto de vista jurídico. Mesmo que Naya renuncie ao mandato, não conseguirá se livrar da punição imposta pela lei das inelegibilidades: o restante do mandato e os oito anos subseqüentes sem os direitos políticos.

Sérgio Naya era até poucos dias um dos homens mais bem relacionados do Congresso. Emprestava casas e jatinhos, fazia doações de campanha e resolvia problemas para os prefeitos. Agora, nem seu partido, o PPB, o apóia. A comissão de ética e a executiva nacional do PPB reúnem-se amanhã (04), em Brasília, para expulsar Naya da legenda. "Infelizmente, as denúncias são graves o suficiente para determinar a expulsão", disse o líder do PPB na Câmara, Odelmo Leão, mineiro como Naya.

O PPB deverá expulsar, hoje, o deputado Sérgio Naya (PPB-MG), proprietário da empreiteira Sersan e engenheiro responsável pela construção do Edifício Palace II, cujo desabamento provocou a morte de oito pessoas. A Executiva do partido e a Comissão de Ética criada para avaliar o comportamento de Naya reúnem-se em Brasília para definir sua punição. "A tendência do PPB é realmente pela expulsão do deputado", afirmou o presidente da legenda e ex-prefeito Paulo Maluf.

A Polícia Federal fará um levantamento de todos os equipamentos médicos importados pelo deputado Sérgio Naya (PPB-MG), anunciados durante uma reunião com vereadores de Três Pontas, no interior de Minas Gerais. A PF quer saber se o ultra-som e os aparelhos de hemodiálise que o deputado teria trazido do exterior têm notas fiscais e onde foram comprados. Dono da empresa Sersan, construtora do Edifício Palace II, que desabou, Naya também terá de explicar como são feitas as importações e como os produtos chegam ao Brasil.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Polícia Federal a ouvir os depoimentos dos deputados Sérgio Naya (PPB-MG) e Leopoldo Bessone (PTB-MG), no inquérito que apura a venda irregular de um prédio da construtora Stecca - que pertencia a Naya - para o extinto Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário (Mirad). O negócio foi feito em 1988, mas desfeito um ano depois.

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