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SEM
SAÍDA
Iniciado
na Câmara o processo para
cassação de Sérgio NayaBRASÍLIA
- A Câmara dos Deputados
iniciou, ontem, o processo de
cassação do deputado Sérgio
Naya (PPB-MG), por quebra do
decoro parlamentar. A ação foi
aberta na Comissão de
Constituição e Justiça por
determinação do presidente da
Câmara, Michel Temer (PMDB-SP),
que teve o apoio unânime dos
outros seis integrantes da mesa
diretora. "Estou
estarrecido", disse Temer.
Sérgio Naya admitira para
amigos a possibilidade de
renunciar, para fugir das
punições, e voltar, no próximo
ano, com novo mandato. Mas, a
partir da instauração do
processo, o ato da renúncia
tornou-se inútil do ponto de
vista jurídico. Mesmo que Naya
renuncie ao mandato, não
conseguirá se livrar da
punição imposta pela lei das
inelegibilidades: o restante do
mandato e os oito anos
subseqüentes sem os direitos
políticos.
Sérgio Naya era até poucos
dias um dos homens mais bem
relacionados do Congresso.
Emprestava casas e jatinhos,
fazia doações de campanha e
resolvia problemas para os
prefeitos. Agora, nem seu
partido, o PPB, o apóia. A
comissão de ética e a executiva
nacional do PPB reúnem-se
amanhã (04), em Brasília, para
expulsar Naya da legenda.
"Infelizmente, as denúncias
são graves o suficiente para
determinar a expulsão",
disse o líder do PPB na Câmara,
Odelmo Leão, mineiro como Naya.
O PPB deverá expulsar, hoje,
o deputado Sérgio Naya (PPB-MG),
proprietário da empreiteira
Sersan e engenheiro responsável
pela construção do Edifício
Palace II, cujo desabamento
provocou a morte de oito pessoas.
A Executiva do partido e a
Comissão de Ética criada para
avaliar o comportamento de Naya
reúnem-se em Brasília para
definir sua punição. "A
tendência do PPB é realmente
pela expulsão do deputado",
afirmou o presidente da legenda e
ex-prefeito Paulo Maluf.
A Polícia Federal fará um
levantamento de todos os
equipamentos médicos importados
pelo deputado Sérgio Naya
(PPB-MG), anunciados durante uma
reunião com vereadores de Três
Pontas, no interior de Minas
Gerais. A PF quer saber se o
ultra-som e os aparelhos de
hemodiálise que o deputado teria
trazido do exterior têm notas
fiscais e onde foram comprados.
Dono da empresa Sersan,
construtora do Edifício Palace
II, que desabou, Naya também
terá de explicar como são
feitas as importações e como os
produtos chegam ao Brasil.
O Supremo Tribunal Federal
(STF) autorizou a Polícia
Federal a ouvir os depoimentos
dos deputados Sérgio Naya
(PPB-MG) e Leopoldo Bessone
(PTB-MG), no inquérito que apura
a venda irregular de um prédio
da construtora Stecca - que
pertencia a Naya - para o extinto
Ministério da Reforma e
Desenvolvimento Agrário (Mirad).
O negócio foi feito em 1988, mas
desfeito um ano depois.
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