REFORMA
AGRÁRIA
FHC
acha que movimento sem-terra
ficou fracoBRASÍLIA
- O presidente Fernando
Henrique Cardoso disse, ontem,
que o movimento sem-terra perdeu
o "conteúdo social".
Segundo ele, o Governo agora vai
se preocupar mais com os pequenos
produtores. Ele afirmou que
realizou assentamentos e deu a
atenção necessária aos
sem-terra. "Mas, está mais
do que na hora de multiplicar as
atenções com aqueles que têm
terra".' Em discurso para os
secretários estaduais de
Agricultura, durante cerimônia
no Palácio do Planalto, FHC
também cobrou
"ousadia" dos bancos e
afirmou que as instituições
têm de correr riscos na
concessão de créditos rurais.
Para o presidente, "os
movimentos que existem estão se
tornando cada vez mais políticos
e insistentemente mais violentos,
como ainda ontem". FHC fez
referência à invasão de três
fazendas pelos sem-terra no
interior gaúcho. Ele afirmou que
o Governo "agora tem de
cuidar para que aqueles que
estão assentados e os que estão
produzindo sejam apoiados".
O juiz Wilson Onzi acolheu,
ontem, o pedido do proprietário
da Fazenda Guabiju, Roberto
Mascarenhas de Souza, no
município gaúcho de Jóia (434
Km de Porto Alegre), e concedeu a
reintegração de bens que estão
no terreno invadido por
agricultores sem terra no Rio
Grande do Sul.
Cerca de 600 famílias ligadas
ao MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais-Sem Terra)
invadiram, ontem, três fazendas
no Pontal do Paranapanema,
Extremo Oeste de São Paulo. A
maior invasão aconteceu no
município de Mirante do
Paranapanema (640 Km a Oeste de
São Paulo). Cerca de 400
famílias que estavam acampadas
em uma área da Cesp entraram na
Fazenda Santa Clara. As invasões
foram pacíficas.
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