..............................................................- - ........-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  CINEMA
Festival do Recife mostra seu corpo

por KLEBER MENDONÇA FILHO

A programação do Festival Nacional de Cinema do Recife, a ser realizado no período de 15 a 21 de março, no Teatro Guararapes, foi anunciada ontem à noite, no Recife Monte Hotel. Esta edição parece mais sólida e melhor definida, principalmente por trazer mostras competitivas nos formatos curta (16mm e 35mm) e longa, algo que o Festival do ano passado não teve.

Os quatro curtas pernambucanos passaram direto pelo processo de seleção e terão uma excelente vitrine no evento. São eles: Clandestina Felicidade, de Beto Normal e Marcelo Gomes, Simião Martiniano, de Hilton Lacerda e Clara Angélica, Ciclo Vicioso, de Renata Nascimento, e Recife de Dentro Pra Fora, de Kátia Mesel. Destes, apenas o último está pronto. Os outros, passam atualmente pelo processo de finalização.

Foram selecionados 30 curtas, entre documentários, ficção e animação. Como em todo festival, a seleção de curtas apresenta altos e baixos. Em alguns dos pontos que poderão ser considerados altos, o público pernambucano poderá ver Alex (SP), curta em 16mm que satiriza o jeito Tarantino/Woo de fazer cinema, a pérola (inédita) vinda da Paraíba, A Árvore da Miséria (muito bom!), o levanta público Alex 1313 (DF), o documentário super-premiado Nelson Sargento (RJ) e a dupla Decisão (RJ) e Amar (RJ, muito bom!), curtas que parecem sintetizar o cinema "comunicativo" que, aparentemente, só o Rio de Janeiro tem feito.

Dos cinco longas em competição, apenas For All, de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz, é inédito comercialmente nos cinemas brasileiros, embora já tenha competido em Gramado e Brasília. A Ostra e o Vento, de Walter Lima Jr., Os Matadores, de Beto Brant e Miramar, de Julio Bressane já circulam pelo Brasil há, pelo menos, sete meses e só não chegaram ao Recife por causa do nosso paupérrimo e quase inexistente circuito alternativo. Anahy de Las Missiones, de Sergio Silva, aguarda lançamento no Nordeste. Isso poderá causar um certo desinteresse, por parte da mídia nacional, na competição de longas, no Recife.

Como eventos-satélite, o público poderá ter acesso a mostras da Cinédia e Atlântida com clássicos da cinematografia nacional como Alô-Alô Carnaval, O Ébrio e Nem Sansão, Nem Dalila, além de poder ver na tela grande os clássicos pernambucanos Aitaré da Praia e A Filha do Advogado, que também serão lançados oficialmente em vídeo pelo CTAV, da Funarte. Mesmo com tanta coisa acontecendo, a jóia do Festival parece ser mesmo a primeira exibição pública de Central do Brasil, premiado em Berlim.

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