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CINEMA
Festival
do Recife mostra seu corpopor KLEBER MENDONÇA
FILHO
A programação do Festival
Nacional de Cinema do Recife, a
ser realizado no período de 15 a
21 de março, no Teatro
Guararapes, foi anunciada ontem
à noite, no Recife Monte Hotel.
Esta edição parece mais sólida
e melhor definida, principalmente
por trazer mostras competitivas
nos formatos curta (16mm e 35mm)
e longa, algo que o Festival do
ano passado não teve.
Os quatro curtas pernambucanos
passaram direto pelo processo de
seleção e terão uma excelente
vitrine no evento. São eles:
Clandestina Felicidade, de Beto
Normal e Marcelo Gomes, Simião
Martiniano, de Hilton Lacerda e
Clara Angélica, Ciclo Vicioso,
de Renata Nascimento, e Recife de
Dentro Pra Fora, de Kátia Mesel.
Destes, apenas o último está
pronto. Os outros, passam
atualmente pelo processo de
finalização.
Foram selecionados 30 curtas,
entre documentários, ficção e
animação. Como em todo
festival, a seleção de curtas
apresenta altos e baixos. Em
alguns dos pontos que poderão
ser considerados altos, o
público pernambucano poderá ver
Alex (SP), curta em 16mm que
satiriza o jeito Tarantino/Woo de
fazer cinema, a pérola
(inédita) vinda da Paraíba, A
Árvore da Miséria (muito bom!),
o levanta público Alex 1313
(DF), o documentário
super-premiado Nelson Sargento
(RJ) e a dupla Decisão (RJ) e
Amar (RJ, muito bom!), curtas que
parecem sintetizar o cinema
"comunicativo" que,
aparentemente, só o Rio de
Janeiro tem feito.
Dos cinco longas em
competição, apenas For All, de
Luiz Carlos Lacerda e Buza
Ferraz, é inédito
comercialmente nos cinemas
brasileiros, embora já tenha
competido em Gramado e Brasília.
A Ostra e o Vento, de Walter Lima
Jr., Os Matadores, de Beto Brant
e Miramar, de Julio Bressane já
circulam pelo Brasil há, pelo
menos, sete meses e só não
chegaram ao Recife por causa do
nosso paupérrimo e quase
inexistente circuito alternativo.
Anahy de Las Missiones, de Sergio
Silva, aguarda lançamento no
Nordeste. Isso poderá causar um
certo desinteresse, por parte da
mídia nacional, na competição
de longas, no Recife.
Como eventos-satélite, o
público poderá ter acesso a
mostras da Cinédia e Atlântida
com clássicos da cinematografia
nacional como Alô-Alô Carnaval,
O Ébrio e Nem Sansão, Nem
Dalila, além de poder ver na
tela grande os clássicos
pernambucanos Aitaré da Praia e
A Filha do Advogado, que também
serão lançados oficialmente em
vídeo pelo CTAV, da Funarte.
Mesmo com tanta coisa
acontecendo, a jóia do Festival
parece ser mesmo a primeira
exibição pública de Central do
Brasil, premiado em Berlim.
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