................................................................ -........-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  BARRETO CAMPELLO
Estado vai acelerar processos de detentos

A greve de fome deflagrada por 850 detentos da Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, iniciada na noite de domingo, é um sinal de que a situação não vai bem. Os presos, que se recusam a comer a alimentação fornecida pela penitenciária, também decidiram não sair para o banho de sol ou fazer trabalhos de rotina, segundo o diretor, major Alexandre Guarines. Os detentos reivindicam benefícios, como progressão de regime e liberdade condicional. Há, ainda, denúncias de espancamento e de violação dos direitos humanos. Mulheres de detentos dizem que cerca de 30 homens estão no isolamento, sem direito, sequer, a ter um ventilador na cela. Durante todo o dia de ontem, várias negociações foram mantidas e 15 detentos foram transferidos para a PAI. O juiz da Vara de Execuções Penais, Mauro Alencar, isentou o Poder Judiciário de responsabilidades pela demora na revisão dos processos dos presos. Atendendo a uma exigência dos presos, o secretário de Justiça, Roberto Franca, com o superintendente em exercício da Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe), Cândido Ferraz, reuniu-se, às 15h30, com uma comissão dos manifestantes. Até o fechamento desta edição, às 20h30, a reunião, que poderia decidir pelo término ou não da greve, não havia acabado.

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