| |
BARRETO
CAMPELLO (II)
Juiz
diz que Judiciário cumpriu seu
papelO juiz da
Vara de Execuções Penais, Mauro
Alencar de Barros, afirmou ontem
que o Poder Judiciário não tem
responsabilidades pela demora na
revisão dos processos de presos
da Penitenciária Barreto
Campelo. Ele justificou que o
principal entrave na agilização
dos julgamentos está na
deficiência de pessoal do
próprio presídio, que dispõe
de apenas uma psicóloga e duas
assistentes sociais para analisar
todos os pedidos de benefícios
jurídicos feitos pelos presos.
Para tentar resolver a
situação, o secretário da
Justiça, Roberto Franca,
decidiu, em reunião realizada
ontem de manhã, alocar
funcionários de outras unidades
carcerárias para analisarem, num
esquema de emergência, os
processos da Barreto Campelo.
O governo do Estado também
anunciou que vai realizar
concurso público para contratar
95 profissionais, entre médicos,
psicólogos e assistentes
sociais, para trabalharem na
Barreto Campelo. Segundo
levantamento da direção da
penitenciária, existem 150
pedidos de benefícios, incluindo
direito à liberdade condicional,
redução e perdão da pena e
transferência para uma unidade
carcerária de regime aberto.
Desse total, 100 processos ainda
estão na Barreto Campelo,
aguardando parecer interno do
assistente social, psicólogo e
da direção do presídio.
Do restante dos processos,
apenas 20 foram julgados. Os
outros 30 continuam na Vara de
Execuções Penais por exigirem a
realização de novas
deligências. "No momento,
todos os processos da Barreto
Campelo, que estavam na
dependência apenas da decisão
judicial, já foram
apreciados", garantiu. Na
avaliação do juiz, o Poder
Judiciário tem cumprido o seu
papel e examinado todos os
processos que são encaminhados
pela penitenciária",
explicou.
O juiz Mauro Alencar explicou
que o acúmulo acontece
justamente na tramitação
interna do pedido. "Para o
processo chegar nas mãos da
Justiça, ele precisa antes ser
submetido ao parecer dos
profissionais da unidade
carcerária. O problema é que
não existe pessoal suficiente na
Barreto Campelo para dar conta de
todo o trabalho", explicou o
magistrado.
Ele disse que um pedido de
redução de pena ou indulto de
Natal, por exemplo, demora de
quatro a seis meses para ser
analisado pela penitenciária,
antes de ser encaminhado à Vara
de Execuções Penais.
"Quando o processo chega na
Justiça, há um prazo médio de
mais dois meses para ser
julgado". No período de
fevereiro de 1997 a fevereiro de
1998, foram julgados os processos
de 544 presos. A maioria foi
beneficiada com o livramento
condicional, indulto de Natal e
redução da pena.
Para justificar a adesão de
mais de 800 presos na greve de
fome, Mauro Alencar disse que
existe um clima de solidariedade
e uma preocupação dos detentos
de, no futuro, também passarem
pelas mesmas dificuldades
enfrentadas hoje pelos presos que
aguardam o julgamento de seus
processos. "Embora tenham
sido realizados apenas 150
pedidos de benefícios
jurídicos, todos os detentos
temem serem prejudicados pela
falta de pessoal".
----------------------------------------- 
|
 |