................................................................ -........-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  BARRETO CAMPELLO (V)
Acenos do telhado mostram o clima tenso

Apesar de a direção da Barreto Campelo garantir, ontem, que o clima na penitenciária era de tranqüilidade, detentos acenando do telhado dos pavilhões e o grande número de policiais militares, fazendo a segurança externa, atestavam que a situação era tensa. "Queremos que a imprensa entre no presídio. Estamos passando fome e sendo espancados pelos agentes penitenciários", gritava um grupo de seis presos, de cima do telhado dos pavilhões B e C.

Eles exibiam faixas com frases de protesto, pedindo a presença do juiz-corregedor Danilo Galvão, responsável pela 2ª Vara de Execuções Penais. Um total de 35 PMs dos batalhões de Choque, Radiopatrulha e do Canil da PM foram deslocados para reforçar o policiamento, desde a noite do último domingo, quando 850 detentos iniciaram a greve de fome.

O diretor da unidade, major Alexandre Guarines, assegurou, entretanto, que nenhum preso aparentava sintomas de desnutrição. "Acredito que eles já vinham planejando essa greve há algum tempo, pois armazenaram nas celas alimentos que os familiares trouxeram nos dias de visita", observou, acrescentando que, até ontem, ninguém havia sido socorrido em conseqüência do movimento.

NEGOCIAÇÕES - Durante quase toda a manhã de ontem, o major Guarines esteve reunido com a promotora Adriana Fontes, que responde pela 1ª e 2ª varas das Execuções Penais, o ouvidor-geral da Secretaria de Justiça, Ernani Lemos, além de uma assessora da secretaria, na tentativa de encontrar uma solução para o impasse.

A promotora explicou que, somente no final da manhã, os presos se organizaram numa comissão, formada por aproximadamente 20 homens. Segundo Adriana Fontes, os detentos entregaram uma lista com os nomes dos presos que teriam direito, entre outros benefícios, a passar para o regime semi-aberto e a livramento condicional. Ela não soube informar, no entanto, o número de detentos que constam da lista. "A questão é que muitos deles querem tratar de problemas pessoais e isso é impossível neste momento".

A promotora disse que foi necessário explicar aos presos como se dá a tramitação dos processos para a concessão de benefícios. "Além do grande número de processos e da carência de pessoal técnico para analisá-los, enfrentamos, muitas vezes, o problema da falta de informações na ficha dos detentos", afirmou. De acordo com Adriana Fontes, no ano passado, 400 presos foram beneficiados com livramento condicional, progressão de regime, redução de pena. "Temos, neste ano, 150 processos em andamento na 1ª Vara".

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