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BARRETO
CAMPELLO (V)
Acenos
do telhado mostram o clima tensoApesar
de a direção da Barreto Campelo
garantir, ontem, que o clima na
penitenciária era de
tranqüilidade, detentos acenando
do telhado dos pavilhões e o
grande número de policiais
militares, fazendo a segurança
externa, atestavam que a
situação era tensa.
"Queremos que a imprensa
entre no presídio. Estamos
passando fome e sendo espancados
pelos agentes
penitenciários", gritava um
grupo de seis presos, de cima do
telhado dos pavilhões B e C.
Eles exibiam faixas com frases
de protesto, pedindo a presença
do juiz-corregedor Danilo
Galvão, responsável pela 2ª
Vara de Execuções Penais. Um
total de 35 PMs dos batalhões de
Choque, Radiopatrulha e do Canil
da PM foram deslocados para
reforçar o policiamento, desde a
noite do último domingo, quando
850 detentos iniciaram a greve de
fome.
O diretor da unidade, major
Alexandre Guarines, assegurou,
entretanto, que nenhum preso
aparentava sintomas de
desnutrição. "Acredito que
eles já vinham planejando essa
greve há algum tempo, pois
armazenaram nas celas alimentos
que os familiares trouxeram nos
dias de visita", observou,
acrescentando que, até ontem,
ninguém havia sido socorrido em
conseqüência do movimento.
NEGOCIAÇÕES - Durante
quase toda a manhã de ontem, o
major Guarines esteve reunido com
a promotora Adriana Fontes, que
responde pela 1ª e 2ª varas das
Execuções Penais, o
ouvidor-geral da Secretaria de
Justiça, Ernani Lemos, além de
uma assessora da secretaria, na
tentativa de encontrar uma
solução para o impasse.
A promotora explicou que,
somente no final da manhã, os
presos se organizaram numa
comissão, formada por
aproximadamente 20 homens.
Segundo Adriana Fontes, os
detentos entregaram uma lista com
os nomes dos presos que teriam
direito, entre outros
benefícios, a passar para o
regime semi-aberto e a livramento
condicional. Ela não soube
informar, no entanto, o número
de detentos que constam da lista.
"A questão é que muitos
deles querem tratar de problemas
pessoais e isso é impossível
neste momento".
A promotora disse que foi
necessário explicar aos presos
como se dá a tramitação dos
processos para a concessão de
benefícios. "Além do
grande número de processos e da
carência de pessoal técnico
para analisá-los, enfrentamos,
muitas vezes, o problema da falta
de informações na ficha dos
detentos", afirmou. De
acordo com Adriana Fontes, no ano
passado, 400 presos foram
beneficiados com livramento
condicional, progressão de
regime, redução de pena.
"Temos, neste ano, 150
processos em andamento na 1ª
Vara".
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