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SAÚDE
Alimentação
imprópria leva menino de cinco
anos a chegar aos 50 quilospor LIANE CYRENO
O garoto Rômulo Pericles
Soares da Cunha, 5 anos,
certamente venceria qualquer
concurso de robustez infantil se
estivéssemos na década de 50,
quando gordura era sinônimo de
saúde. O menino, filho de
família classe média baixa de
Sapucaia de Dentro, Olinda,
chegou aos 50 quilos com uma
alimentação um tanto imprópria
para a sua idade. Rômulo cresceu
recebendo a mesma dieta
alimentar, resumida a
praticamente mingau e vitamina de
banana, cinco vezes ao dia.
Com aproximadamente um metro e
dez de altura e um corpo
desproporcional para a sua idade,
o garoto chama a atenção por
onde passa e é motivo de chacota
entre vizinhos e colegas de
escola. A gordura excessiva
impede que Rômulo leve uma vida
normal para um menino de cinco
anos. Diariamente, ele vive
situações constrangedoras como,
por exemplo, não conseguir
passar pela catraca de um
ônibus. Fatos que não passam
despercebidos, mas também
parecem não preocupar a sua
mãe, Lindaci, que resume:
"Ele nunca comeu comida de
panela, feijão, carne, arroz ou
macarrão. Não gosta. O que
posso fazer?".
A dieta alimentar do menino,
à base de leite e farinha,
começa assim que ele acorda. Por
volta das 6h da manhã, Rômulo
toma um mingau caprichado de
farinha láctea. Na hora do
lanche, às 9h, é
"praticamente" forçado
pela mãe a tomar um iogurte ou
danoninho. Às 12h, antes de ir
à escola, almoça vitamina de
banana.
"Na lancheira, costumo
colocar uma latinha de
refrigerante, um pacote de
biscoito ou pipoca. Mas não
adianta, ele não come e o
alimento sempre volta. Só toma o
refrigerante, que aliás,
adora", revela Lindaci.
"Quando volta da escola,
pelas 17h, toma outro copo de
leite com farinha láctea e vai
dormir. Só dou o que ele quer.
Não posso forçá-lo a
nada", justifica.
Os vizinhos evitam falar sobre
o assunto, embora tirem gracinhas
com a criança e garantam que a
mãe do garoto o obriga a comer.
Lindaci confirma, mas
justifica-se: "Se não ficar
atrás dele, ele não come nada o
dia todo. Uma vez ou outra é que
pede um pedaço de pão com
manteiga, apenas", diz
constrangida. Rômulo já
começou a enfrentar, inclusive,
problemas psicológicos por causa
da obesidade. "Quando vai à
escola, alguns amigos o chamam de
baleia. Ele volta arrasado".
O garoto tem mais cinco
irmãos, todos magros e sem
qualquer problema nutricional.
Segundo Lindaci, Rômulo sempre
foi gordo. "Nasceu com
quatro quilos. Só que, a cada
ano, ele vem engordando mais. Já
o levei para o Hospital Agamenon
Magalhães, onde fizeram vários
exames".
A psicóloga Roseane Pinto
Moreira, do Posto de Saúde de
Olinda, que atendeu Rômulo na
manhã de ontem, afirma que não
pode fazer nenhuma avaliação
exata sobre a criança, mas
garante que trata-se de um garoto
com problemas. "Hoje, foi
meu primeiro contato com ele. É
difícil fazer um diagnóstico.
Recomendei à mãe para que fosse
ao Hospital Albert Sabin e
procurasse um endocrinologista e
cardiologista".
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