................................................................ -........-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  SAÚDE
Alimentação imprópria leva menino de cinco anos a chegar aos 50 quilos

por LIANE CYRENO

O garoto Rômulo Pericles Soares da Cunha, 5 anos, certamente venceria qualquer concurso de robustez infantil se estivéssemos na década de 50, quando gordura era sinônimo de saúde. O menino, filho de família classe média baixa de Sapucaia de Dentro, Olinda, chegou aos 50 quilos com uma alimentação um tanto imprópria para a sua idade. Rômulo cresceu recebendo a mesma dieta alimentar, resumida a praticamente mingau e vitamina de banana, cinco vezes ao dia.

Com aproximadamente um metro e dez de altura e um corpo desproporcional para a sua idade, o garoto chama a atenção por onde passa e é motivo de chacota entre vizinhos e colegas de escola. A gordura excessiva impede que Rômulo leve uma vida normal para um menino de cinco anos. Diariamente, ele vive situações constrangedoras como, por exemplo, não conseguir passar pela catraca de um ônibus. Fatos que não passam despercebidos, mas também parecem não preocupar a sua mãe, Lindaci, que resume: "Ele nunca comeu comida de panela, feijão, carne, arroz ou macarrão. Não gosta. O que posso fazer?".

A dieta alimentar do menino, à base de leite e farinha, começa assim que ele acorda. Por volta das 6h da manhã, Rômulo toma um mingau caprichado de farinha láctea. Na hora do lanche, às 9h, é "praticamente" forçado pela mãe a tomar um iogurte ou danoninho. Às 12h, antes de ir à escola, almoça vitamina de banana.

"Na lancheira, costumo colocar uma latinha de refrigerante, um pacote de biscoito ou pipoca. Mas não adianta, ele não come e o alimento sempre volta. Só toma o refrigerante, que aliás, adora", revela Lindaci. "Quando volta da escola, pelas 17h, toma outro copo de leite com farinha láctea e vai dormir. Só dou o que ele quer. Não posso forçá-lo a nada", justifica.

Os vizinhos evitam falar sobre o assunto, embora tirem gracinhas com a criança e garantam que a mãe do garoto o obriga a comer. Lindaci confirma, mas justifica-se: "Se não ficar atrás dele, ele não come nada o dia todo. Uma vez ou outra é que pede um pedaço de pão com manteiga, apenas", diz constrangida. Rômulo já começou a enfrentar, inclusive, problemas psicológicos por causa da obesidade. "Quando vai à escola, alguns amigos o chamam de baleia. Ele volta arrasado".

O garoto tem mais cinco irmãos, todos magros e sem qualquer problema nutricional. Segundo Lindaci, Rômulo sempre foi gordo. "Nasceu com quatro quilos. Só que, a cada ano, ele vem engordando mais. Já o levei para o Hospital Agamenon Magalhães, onde fizeram vários exames".

A psicóloga Roseane Pinto Moreira, do Posto de Saúde de Olinda, que atendeu Rômulo na manhã de ontem, afirma que não pode fazer nenhuma avaliação exata sobre a criança, mas garante que trata-se de um garoto com problemas. "Hoje, foi meu primeiro contato com ele. É difícil fazer um diagnóstico. Recomendei à mãe para que fosse ao Hospital Albert Sabin e procurasse um endocrinologista e cardiologista".

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