............................................................. ..........-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  MERCADO FINANCEIRO
Nova TR amplia ganhos da poupança

A poupança vai voltar a ser atrativa para o investidor tradicional. Ontem, o Banco Central (BC) divulgou o novo redutor da Taxa Referencial (TR) para março, de 1,0135% - menor que o redutor que vigorou em fevereiro, de 1,0163%. Segundo os técnicos do BC, um redutor menor significa uma TR maior e, conseqüentemente, uma maior rentabilidade para as cadernetas de poupança.

Com o novo redutor, a TR sobe de 0,4771% - de 2 de fevereiro a 2 de março - para 1,0004% no período de 2 de março a 2 de abril, com o rendimento da poupança no dia 2 saltando para 1,5054%, muito mais que o rendimento creditado no aniversário anterior da caderneta, que foi de 0,9795%.

O rendimento maior de março, entretanto, só será creditado, de acordo com a data de aniversário das cadernetas, no mês de abril. É que a TR, divulgada diariamente pelo BC para determinado dia, vale para o período dos próximos 30 dias, a mesma coisa ocorrendo com a poupança. Agora, no início de março, está sendo creditado nas contas de poupança a TR apurada, diariamente, no mês anterior.

Enquanto o impacto nos saldos das cadernetas de poupança é positivo, a nova TR terá um peso maior para os financiamentos imobiliários. Os saldos devedores e a prestação mensal passarão a ter uma correção maior do que o que foi registrado em fevereiro.

"Este é um dilema antigo. Estimular a poupança ou o mutuário", pondera o diretor financeiro do Bandepe, Jorge Carvalho, que faz parte da diretoria da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Segundo Carvalho, uma das preocupações da instituição atualmente é encontrar uma forma de equacionar o problema. O diretor de Bandepe não teme que o aumento da TR provoque um incremento nos níveis de inadimplência. "Este é um fenômeno provocado pela taxa de juros, que é muito alta".

Na opinião do gerente de mercado do Escritório Regional da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Pedro, com o anúncio de ontem o BC corrige um "acidente de percurso", que foi a TR de fevereiro. "Considerando o desempenho da TR desde de dezembro, podemos dizer que o efeito da medida nos saldos devedores foi positivo", afirma. Nestes meses, o indexador passou de 1,3085% em 1º de dezembro para 0,9200% em 1º de março.

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