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ARTIGO
Os
signos do capital estrangeiropor PAULO ROBERTO
CANNIZZARRO*
Números mais recentes dão
conta que é a hora e a vez do
capital estrangeiro. Talvez cerca
de US$ 12,5 bilhões, somente em
1997, segundo publicações de
revistas especializadas, foram
empregados de dinheiro externo,
para aquisições ou fusões com
empresas brasileiras. Companhias
internacionais estão
desembarcando aqui para assumir o
controle ou se associar a mais de
duas centenas de empresas
brasileiras e este capital está
se aproveitando deste momento
exatamente pelas fragilidades de
empresas e da conjuntura
econômica nacional tão pouco
favorável a elas.
Aportaram aqui porque sabem
também que falta capital interno
necessário para acompanhar os
investimentos que as empresas e a
Nação reclamam, e não é por
outro motivo que estamos
assistindo empresas brasileiras
tradicionais rolando ladeira a
baixo. Sinal de novos tempos
globalizados? Pouco importa
responder isto. Certo ou errado,
capital estrangeiro temporário
ou mais permanente,
circunstâncias ou tendência
contemporâneas, o que é
evidente é que isto está
impactando de maneira importante
as bases do capitalismo
brasileiro.
E toda vez que pretendemos
estudar as grandes influências
deste capital de
"gringos", é preciso
considerar alguns aspectos
significativos que enlaçam suas
tendências. Merecem assim
considerações: 1) O estímulo
do crescimento econômico. É
fato que o ingresso de capital
externo em um País é
instrumento capaz de gerar um
crescimento econômico efetivo e
exemplo em outras nações é que
não faltam para provar que eles
mudam o cenário econômico e
social de um povo. 2) O capital
estrangeiro pode ser indutor na
qualificação de nossa
distribuição de renda, e neste
aspecto o Brasil é um país
produtivamente injusto. 3)
Deveremos afinal questionarmos
até que ponto o capital
estrangeiro promove ou não
internamente ao País uma
convivência econômica
saudável.
Analisando cada um destes
impactos, é de se reconhecer que
ele produz de fato crescimento
econômico, na medida em que usa
melhor nossas potencialidades e
vocações econômicas, e
crescimento é sinal também de
melhor manejo de recursos
produtivos, de organização
econômica, estabilidade,
ocupação, emprego, e isto é
muito mais fácil quando se tem a
mão um "capital" muito
mais profissional. Assim, nossa
taxa de crescimento do PIB
"per capita" pode
aumentar de maneira importante e
rápida, caso a economia receba
uma irrigação de capital
estrangeiro.
Hoje a participação do
capital estrangeiro no Brasil
deve situar-se em cerca de 6,0%
ou 8,0% (?). Um aumento relevante
nas próximas décadas será
capaz de assegurar de fato uma
vida muito melhor para nossos
filhos. É verdadeiro também que
o capital estrangeiro trás
benefícios reais para essa
redistribuição da renda
nacional. É uma máxima que os
salários crescem na mesma
proporção em que existe mais
abundância de capital e escassez
de mão-de-obra e no nosso caso
estamos exatamente na contramão:
faltam investimentos em vários
setores e sobra um contingente de
mão-de-obra "de
despreparados" e
"desqualificados",
produto nacional que temos para
dar e vender.
Em última análise, é
inegável que o capital
estrangeiro surpreende as
empresas brasileiras. É evidente
que a entrada de multinacionais
causa prejuízos às empresas
domésticas já instaladas no
País, e elas chegam como uma
"praga de gafanhotos".
Ganhando espaço, tomando
oportunidades e de repente comem
as nossas empresas, na maioria
das vezes totalmente
despreparadas. Muitos defendem
que este capital estrangeiro
engole nossa soberania nacional
porque passa por cima de nossas
práticas comerciais, nossas
empresas e os interesses da
Nação. A maioria, no entanto,
sabe que este atentado do capital
estrangeiro só impacta a
soberania do produtor já
instalado na economia, mas na
prática, reconhecem saudável
transformação que ele produz no
mercado e nos seus consumidores.
Absolvido ou culpado, o que
parece claro é que o capital
estrangeiro já está
transformando o capitalismo
brasileiro e o processo desta
mudança parece que a partir de
agora será muito mais
avassalador e rápido.
* Paulo Roberto Cannizzaro
é consultor de gestão
empresarial e titular da empresa
Cannizzaro & Associados S/C
Ltda
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