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CONSUMO
Queda
dos juros chegará com atraso ao
varejoMesmo
com a perspectiva de que hoje, em
sua reunião, o Conselho de
Política Monetária (Copom)
aplique uma redução na Taxa
Básica do Banco Central (TBC),
dos atuais 34,5%, ao ano, para o
intervalo entre 30% e 31% ao ano,
boa parte da população, que
compra através do crediário ou
toma dinheiro emprestado junto
às financeiras, não sentirá a
mudança. Com os índices de
inadimplência se mantendo
elevados, essas empresas preferem
trabalhar com juros altos, se
prevenindo contra os riscos desse
tipo de operação.
Apesar do presidente Fernando
Henrique Cardoso ter afirmado
ontem que as taxas de juros devem
cair o suficiente para que
cheguem ao final de 98 com o
patamar equivalente à taxa
média de 1997, o que
significaria baixar bastante
agora, o diretor comercial da
José Mário de Andrade, Alberto
Freitas, afirma que para se
chegar a juros mais realistas
será preciso reduzir essa
inadimplência através de uma
política mais concreta de
renegociação das dívidas.
Enquanto no Brasil, as
financeiras vêm cobrando juros
de 6% a 8% ao mês, tanto em
países europeus como nos Estados
Unidos, a taxa média é de 6% ao
ano. Segundo Freitas, antes do
Banco Central aplicar a
elevação na taxa básica, em
outubro do ano passado, o mercado
vinha praticando juros médios de
3,5% a 4,5%. Depois do aumento,
esses percentuais chegaram a uma
média de 8%.
O comerciante Fortunato Russo
Sobrinho, que vende alguns
produtos no crediário através
de financeiras, explica que a
cobrança de juros também serve
para que essas empresas possam
cobrir os débitos dos
inadimplentes. Esse fato atinge
diretamente a população de
menor renda que não tem acesso a
cartão ou a talões de cheque
que funcionam como opções de
crédito. Esse é o público que
costuma fazer uso do crediário e
de empréstimos junto as
financeiras. No entanto, para as
lojas que bancam seu próprio
crediário, a redução das taxas
pode ser uma realidade, pois elas
incidirão nos custos de
captação de dinheiro nos
bancos, e poderão ser repassadas
ao consumidor final. A reportagem
do JC tentou falar com as
principais financeiras do país
que atuam no setor do comércio,
mas não foi atendida.
Para o economista da
Fundação Joaquim Nabuco
(Fundaj), Osnil Galindo Filho, o
maior culpado dessa
inadimplência alta é o próprio
comércio que incentiva o consumo
na população de menor renda,
mesmo sabendo que a maioria não
pode continuar arcando com esses
compromissos a longo prazo. Por
outro lado, a perda do poder
aquisitivo não conseguiu
diminuir o desejo de compra desse
público. "O brasileiro é
um povo consumistas. Em países
mais desenvolvidos, onde o poder
aquisitivo da população é
muito maior, não existe essa
ansiedade constante de
comprar", acredita.
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