............................................................. ..........-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  RESTRIÇÃO
BNDES reduz recursos de privatização

RIO - As antecipações de receita para Estados por conta da privatização estão da mira do governo. Essas operações, que começaram em 1995 com a Cemig, de Minas Gerais, já somam R$ 1,5 bilhão, que foram desembolsados pelo BNDES para sete governadores. Agora, o banco quer reduzir essas operações. Desde meados de 97, quando a instituição fechou acordo com o Rio Grande do Norte para a privatização da Cosern, não houve outra operação desse tipo. O único processo previsto, no momento, é o da privatização da Celpe, da ordem de R$ 700 milhões. Amanhã, a minuta do contrato para liberação destes recursos para Pernambuco, passará por uma última análise, numa reunião entre representantes do Governo do Estado e técnicos do BNDES, no Rio de Janeiro.

A primeira parcela do empréstimo a Pernambuco, no valor de R$ 150 milhões deverá sair logo assim que o contrato for aprovado e passar pela apreciação dos ministérios das Minas e Energia e da Fazenda. A segunda parcela - de R$ 150 milhões - deve ser paga no dia 6 de abril e depende da publicação do edital de licitação de contratação das empresas que avaliarão o patrimônio da estatal, na próxima sexta-feira.

Segundo o chefe do departamento de Operações de Energia Elétrica do BNDES, Evandro Coura, a Coelce (CE), será privatizada sem antecipação de receita por parte do banco. Ele disse que estão de fora do processo Paraíba, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Maranhão. Paraná e Minas não venderam o controle de suas empresas de energia elétrica, apenas uma parte das ações. O Maranhão tentou fechar uma operação de antecipação com o BNDES, mas problemas na Constituição estadual prejudicaram o processo. A Paraíba está contratando uma consultoria para fazer a avaliação da empresa e não se sabe se terá a antecipação do BNDES.

DEMANDA - O BNDES, que em 97 teve orçamentos e financiamentos recordes, enfrenta em 98 um excesso de demanda por crédito para investimentos que podem superar o orçamento previsto de R$ 17 bilhões. Além disso, a estratégia de incentivar a privatização do setor elétrico estava ligada à necessidade de investimentos no setor. O banco temia um colapso de energia com o crescimento da economia e com a falta de recursos dos governos para aumentar a capacidade de geração e modernizar suas empresas de eletricidade.

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