............................................................. ..........-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  MICROSOFT
Gates nega acusações de práticas de monopólio

WASHINGTON - O diretor-executivo da Microsoft, Bill Gates, negou ontem as acusações de práticas monopolísticas e disse que não pretende instalar pedágios na Internet para obter vantagens. "A Microsoft não tem o monopólio do negócio de desenvolvimento e licenciamento dos sistemas operacionais de computadores", afirmou o milionário em depoimento ante a Comissão de Justiça do Senado dos EUA.

Um de seus principais concorrentes, Scott McNealy, presidente da Sun Microsystems, ameaçou, durante o mesmo encontro com parlamentares, entrar com ações judiciais para impedir que a Microsoft continue adotando uma posição monopolística. O outro grande rival de Gates, Jim Barksdale, da Netscape, porém, alegou que sua empresa não poderia se dar ao luxo de contestar judicialmente a gigante dos softwares. Mas acusou Gates de usar "práticas ilegais para intimidar os fabricantes de computadores e obrigá-los a instalar o Internet Explorer, navegador do sistema Windows 95".

Em seu discurso de abertura dos trabalhos, Gates descartou a possibilidade de a Microsoft dominar a Internet por meio de seu sistema Windows 95. Segundo o milionário, "a rede não pode ser controlada ou interrompida, pois está constantemente alterando uma série de ligações ou conexões". Na reunião com os parlamentares, Gates afirmou que não integrar as funções de Internet ao seu sistema operacional Windows seria como "vender um automóvel sem ar-condicionado ou sem pneus".

Convidado a apresentar uma avaliação isenta dos problemas, o especialista Stewart Alsap, da revista Fortune, observou que a atual legislação antitruste está ultrapassada e não é eficaz no controle das práticas industriais do setor de softwares. Por isso, ele sugeriu a adoção de novas regras intermediárias, entre as normas que hoje se aplicam aos setores de telefonia e transportes aéreos, com uma legislação mínima e alguns acordos entre empresas.

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