............................................................. ..........-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  MARKETING (II)
Gráficas amargam os prejuízos

Há menos de dois meses em vigor, a lei que proíbe panfletagens nas ruas do Recife já começou a afetar o faturamento da maioria das gráficas da cidade. O dono da Gráfica Dois Irmãos, Edvaldo Tavares, que chegava a produzir cerca de 100 mil panfletos e folhetos por mês, conta que nos últimos 45 dias já contabilizou uma queda de 70% nos pedidos desses materiais. "Já estamos numa época de crise e com a lei as coisas pioraram ainda mais", reclama Tavares.

De acordo com ele, a empresa da qual é proprietário, que já tem 30 anos de atividades, nunca teve um movimento tão baixo quanto de meados de janeiro para cá. "A queda no meu faturamento ficou em torno de 25%", completa ele. Robson de Lemos, da GCL Gráfica e Editora, revela também que sentiu uma pequena queda no número de pedidos para confecção de folhetos.

Segundo Lemos, a princípio ele achou que a redução havia ocorrido devido ao período de Carnaval, mas depois do período detectou que as solicitações não voltaram a ser feitas. "Praticamente zeraram esses pedidos, desde fevereiro. A queda no nosso faturamento chega a 15%. Com a chegada das eleições, época de maior movimento para esse tipo de material, os prejuízos serão grandes", atesta.

"O diretor da Reproart Gráfica e Editora, Ulisses Magalhães conta que, até a aprovação da lei, produzia entre 60 mil e 100 mil panfletos por semana. Depois disso, a redução foi assustadora. Ele acredita que, mesmo correndo o risco de serem multados, alguns candidatos a cargos públicos irão continuar lançando mão dos panfletos e "santinhos" para serem eleitos. Se isso acontecer, Ulisses acredita que as empresas do mercado gráfico voltem a melhorar seus faturamentos.

A diretora administrativa da Intergraf, Danielle Mendonça, conta que o forte da empresa não são os folhetos e panfletos, mas materiais promocionais. Admite, no entanto, que houve uma pequena diminuição nos pedidos de encartes que são distribuídos nas ruas. De acordo com Danielle, o setor irá sentir uma maior perda nos pedidos de panfletos e folhetos quando se aproximar mais eleições. "Deve-se partir para materiais como calendários", acredita.

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