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INDÚSTRIA
Kaiser
decide investimento em Pernambuco
até o final do mêspor LUCIANA LEÃO
Depois de quase dois anos em
negociação com o Governo de
Pernambuco, a Cervejaria Kaiser
discutiu ontem os últimos
ajustes necessários para
assinatura do protocolo de
intenções para instalação da
indústria de bebidas no Estado.
Técnicos da empresa paulista
estiveram reunidos com o
secretário de Indústria,
Comércio e Turismo, Sérgio
Guerra, para discutir dois dos 42
itens que compõem a pauta da
negociação. No próximo dia 23,
uma nova reunião está prevista
com a presença, inclusive, do
vice-presidente do grupo, Carlos
Eduardo Jardim.
Segundo a reportagem apurou, o
grupo paulista discordava, por
exemplo, da data do recolhimento
do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS)
para o contribuinte substituto, o
que teria, em parte, dificultado
a negociação iniciada pelo
então secretário de Indústria,
Comércio e Turismo, Álvaro
Jucá, e somente concretizado com
o atual secretário Sérgio
Guerra. Atualmente, o ICMS retido
deve ser recolhido até o 10º
dia do mês subseqüente,
conforme legislação em vigor. A
Kaiser deseja que o acordo
permita o recolhimento até o
25º dia do mês seguinte.
Porém, de acordo com o
diretor-presidente da AD-Diper,
Sérgio Ferreira, a mudança da
data de recolhimento é uma
questão superada.
Esta modificação para
ocorrer teria que ser submetida a
decisão do Conselho Nacional de
Administração Fazendária
(Confaz), além de mexer com
todos os setores da base
contributiva do Estado. Diante do
impasse, o governo criou um outro
mecanismo de concessão de
incentivos fiscais, além dos já
incluídos no Programa de
Desenvolvimento do Estado de
Pernambuco (Prodepe).
A cervejaria paulista terá um
financiamento de 75% do ICMS
devido durante 10 anos com prazo
de carência de dois anos. Ao
final deste prazo a empresa ainda
poderá rebater em até 99% o
valor total do imposto devido. O
governo pernambucano disputou com
a Paraíba a instalação da
cervejaria paulista. Segundo
Carlos Eduardo Jardim, da Kaiser,
o investimento no Estado só não
foi possível, até hoje, por
conta de
"ineficiências" da
legislação tributária.
"Não queremos instalar uma
indústria de fachadas. É
preciso conceder uma base legal
ao investimento", disse o
executivo.
A indústria provavelmente
será instalada num terreno de 10
hectares, situado próximo a
fábrica Latasa, no Complexo
Industrial de Suape. A meta da
cervejaria é aumentar sua
participação no mercado da
região Nordeste representado,
hoje, por 10% do mercado. Com a
unidade em Pernambuco, esta seria
a terceira na região. As outras
estão localizadas nos estados da
Bahia, em Feira de Santana, e a
outra, em Pacatuba, no Ceará.
Pelo antigo protocolo
submetido à análise do governo
estadual, seriam necessários R$
95 milhões para instalação da
unidade pernambucana, com
capacidade de produzir 100 mil
hectolitros de cerveja por mês,
gerando 200 empregos diretos e
800 indiretos. A Kaiser, no
país, detém 16% do mercado,
ocupando a quarta posição no
ranking.
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