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ADEUS,
VELHICE! (II)
Teste
genético é o grande diferencialPara
pessoas na faixa de 30 anos que
freqüentam geriatras, o check up
genético é o mapa que permite
direcionar a mudança de estilo
de vida de um modo inteligente. A
empresária Claudine Bichara de
Oliveira, de 38 anos, à frente
da empresa de assessoria e
serviços de informática Netune,
descobriu nos exames genéticos
que tem tendência a ter
problemas ósseos. Resultado:
passou a fazer um tratamento
preventivo à base de
medicamentos especiais e mudou
toda a sua alimentação,
trocando peixes de carne vermelha
(como o salmão) pelos de carne
branca, como o linguado e o
robalo.
"Fiquei me sentindo bem
melhor. Aumentei a minha
disposição física intelectual
e até sexual. E não é só
isto: o tratamento antitempo
está me deixando mais bonita.
Além disto, faço uma ginástica
puxada diária com a professora
Izabel Ramalho", conta.
A executiva Elizabeth
Fernandes, de 39 anos, também
procurou a medicina preventiva
para aumentar sua expectativa de
vida saudável. Faz ginástica,
não come carne vermelha, nem
gorduras. As consultas médicas
complementaram o ritual diário
de ir à academia, colocar uma
barra de 10 quilos nas costas e
se agachar cem, 200 e até 300
vezes, além de fazer dezenas de
flexões de braço e abdominais.
"Passo cremes hidratantes
e nutritivos pelo corpo inteiro.
Aos 30 anos, comecei a ir a
médicos, usar ácidos
glicólicos, tomar vitaminas
importadas contra radicais livres
e vitamina C. Além disto,
escolhi o caminho da felicidade.
Descobri que sofrer envelhece.
Não esquento mais a cabeça:
não fico casada muito tempo e,
quando algo não me agrada, tento
outro caminho", filosofa,
satisfeita, Elizabeth.
A estilista Cristina Lopes, de
38 anos, manequim 38, diz que
teve a sorte de ter uma
constituição genética que lhe
garante pele saudável e sem
rugas. Mas, há poucos anos,
passou a usar cremes contra a
velhice. "A gente chega a
uma idade em que se cuidar é uma
obrigação, mesmo quando a
herança genética nos
favorece", diz.
MUDANÇA DE HÁBITOS -
Entre os testes disponíveis no
Brasil o mais complexo é o que
faz a fenotipagem genética.
Fenótipo é a combinação
individual determinada pelo
conjunto de genes e pelas
condições ambientais. Este
exame custa cerca de R$ 250,00 e
identifica, por exemplo, a
propensão ao infarto do
miocárdio, a casos de rim
policístico, à osteoporose e ao
mal de Alzheimer. Isto significa
que uma pessoa com risco de
Alzheimer, por exemplo, pode
reformular sua dieta e usar
complementos nutricionais para
devolver ao organismo os
elementos que ele está perdendo
com a idade, como a
fosfatidilserina, que protege os
neurônios e melhora a memória.
O exame é feito a partir de
amostras de sangue. Também já
se fazem testes de
predisposição para cinco tipos
de câncer: mama, ovário,
cólon, tireóide, pele e
síndrome de Li-Fraumeni. Outro
exame genético importante é o
que prevê se o homem tem risco
de câncer da próstata.
A geriatra Carla Fromuller
esclarece que, apesar do
envelhecimento ser natural e
inevitável, a carga genética
humana é programada para viver,
com disposição e saúde, mais
de 100 anos. No entanto, a
expectativa de vida do brasileiro
é de 64 anos e, no Japão, uma
das mais altas do mundo, não
ultrapassa 81 anos.
"Nos centros urbanos, o
envelhecimento é brutalmente
acelerado. Primeiro, pelo estilo
de vida sedentário de pessoas
obesas, que comem errado e vivem
estressadas. Isso favorece o
aparecimento de doenças. Depois,
há o que cada um traz de carga
genética: colesterol alto, que
acelera o envelhecimento
circulatório; tendência para
tumores cancerígenos ou
alterações circulatórias que
causam acidentes
vasculares-cerebrais",
explica.
A terapia genética é hoje um
avançado recurso para a
prevenção de doenças como a
fibrose cística, a artrite, a
imunodeficiência combinada e a
senilidade. Os hormônios,
complementos nutricionais e
tecidos cultivados em
laboratório podem prevenir a
degeneração das células e os
efeitos do envelhecimento. Mas é
fundamental que o candidato à
longevidade se submeta a seguir o
programa de vida traçado pelo
geriatra. Os testes são
complementados por um minucioso
exame clínico. A primeira
consulta da geriatra Carla
Fr÷muller, por exemplo, dura
quatro horas.
A especialista faz um longo
questionário de dez folhas sobre
hábitos pessoais, alimentares,
desde o café, o almoço, a
quantidade de adoçante e de
gorduras que come, o quanto se
repousa depois do almoço.
Depois, faz um questionário
minucioso sobre o fumo, no caso
dos fumantes. O paciente responde
sobre remédios, prescritos e
tomados por conta própria, além
de contar sua história familiar.
Ela procura dissecar todo o
cenário para o tratamento de
prevenção e obter elementos
para fazer uma relação de
causas possíveis de problemas.
Além dos exames de sangue,
neurológico, de fundo de olho,
da pele, do cabelo, do couro
cabeludo, de fungos nas unhas e
de frieiras no pés, a receita
básica de Carla Fromuller é uma
dieta saudável, noites de sono
profundo e exercícios físicos
regulares, adequados a cada tipo
de paciente.
"Dou ao paciente
informações gerais sobre a
saúde e orientações
personalizadas para cada tipo de
caso. Uma pessoa que tem dois
casos de infarto na família, um
irmão hipertenso e a avó
diabética, terá que parar de
fumar urgentemente. Farei o seu
perfil sangüíneo, de placas a
circulação carotídea, dosagens
de colesterol, dosagens de
apolipoproteínas. Iniciaremos
uma guerra contra o cigarro,
através de adesivos e
medicação. Se for o caso, a
pessoa terá que diminuir o peso
e fazer atividades
físicas", atesta.
É como se a vida do paciente
levasse um forte sacolejo. Ele
mudará hábitos importantes e
vai sentir-se mais jovem, com uma
energia que não tinha antes. A
qualidade de vida vai melhorar
para que ele esteja saudável e
independente até os cem anos.
Duas fortes razões para a
busca de um geriatra para um
tratamento preventivo é a
aparência externa e o espelho
familiar. No primeiro caso, há o
desejo de envelhecer com
aparência e sensação de
jovialidade, isto é, manter-se
jovem no espírito, continuar
criativo, ousado, com boa pele,
belos cabelos e o corpo rijo. No
segundo caso, existe o temor de
seguir o exemplo de alguém em
casa, demente, paralítico ou
dependente dos outros por mau
envelhecimento.
"A questão não é parar
o processo de envelhecimento, mas
colocá-lo em velocidade natural.
Para mim, os maiores vilões
deste processo são a gordura
saturada (açúcares e gordura
animal) e o mito alimentar de que
carboidratos engordam. Prefiro
receitar duas batatas a um bife.
Dá sensação de saciedade e
energia. O bife traz a
gordura", diz a geriatra.
O geriatra Walter Ryfer
concorda que, depois de analisar
o padrão genético de cada
paciente, há uma avaliação
precisa da qualidade da saúde.
"O clínico analisa apenas a
doença. Depois dos 30, há uma
queda de hormônios, como o do
crescimento, cuja alta vai dos 13
aos 18 anos. Começa a fase surda
de envelhecimento: cansaço,
fadiga, declínio da capacidade
criativa e produtiva. É hora de
procurar um geriatra.
TRATAMENTO ANTITEMPO -
Mas a moda de consultar um
geriatra a partir dos 30 anos
ainda provoca controvérsia. A
ex-presidente da Sociedade
Brasileira de Geriatria Ariana
Kassadow afirma que um bom
clínico é quem deve fazer estes
tratamentos preventivos. "O
geriatra é médico de pessoa
idosa. Não que não possa
atender jovens, porque antes de
tudo é um clínico, mas chego
até a ser contra esta moda. Não
vou bater a porta na cara de um
jovem, mas vou logo explicando
que minha especialidade é com
gente idosa", defende.
"A parte de prevenção todo
médico tem que saber, tanto o
obstetra quanto o pediatra e o
geriatra. O clínico é que deve
atender gente jovem. Esta moda
tem mais interesses comerciais do
que intenção de prevenção e
combate à doença", diz.
O geriatra Walter Bortz,
professor da Faculdade de
Medicina da Universidade de
Stanford, um dos maiores
especialistas mundiais em
envelhecimento, autor do livro
Viva mais de cem anos (Editora
Record), afirma que terapias
genéticas são importantes, mas
ressalta que a longevidade não
precisa de programas
individualizados. Basta ter
hábitos saudáveis: nada de
cigarros, nem de vida
sedentária, nem de estresse. A
alimentação deve ser leve e o
sono profundo.
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