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GENTE
A
supermulher que deixa calados os
gigantes do Vale do Silíciopor
SANDRA CARVALHO
Especial para o JC
LONDRES - Não tem como
fugir à regra. Sempre que uma
nova cabeça aparece para dar
palpites sobre o futuro da
indústria digital, o resultado
é receber um rótulo na testa.
Foi assim com Bill Gates
(intitulado de "Mago dos
Computadores" e
"Empresário Prodígio"
por uma legião de informatas e
criticado ferozmente por outra).
E tem sido assim com muitos. Mas
no caso de Esther Dyson, 46, a
coisa é bem pior. Ela é a
única mulher a dar as cartas
(pelo menos a mais famosa delas)
na tão masculinizada comunidade
informata americana. Ou melhor,
do mundo. Tem que ficar na
berlinda.
Pode parecer exagero, mas
Madame Dyson é apontada como
visionária por companhias e
revistas especializadas de
diversas partes do planeta. Foi
nomeada como uma das 50 mais
influentes personalidades do
mundo pela revista Vanity Fair e,
recentemente, ganhou uma medalha
do governo húngaro por ser uma
das 23 mais importantes figuras a
ter influência no
desenvolvimento da indústria dos
computadores no Leste Europeu.
Ela é, ainda, presidente de
diversas entidades ligadas à
area, como por exemplo, a
Associação Russa de Software e
da Eletronic Frontier Foundation,
organização não-governamental
que trata de promover a liberdade
de expressão e assegurar
direitos e responsabilidades na
Internet.
Os jornais The New York Times
e Washington Post, bem como as
revistas Forbes e a eletrônica
Wired já dedicaram páginas
inteiras ao que eles chamam de
"supercybermulher".
Há, ainda, as publicações que
preferem explorar os hábitos
estranhos de Dyson, como o de
nadar todos os dias (não
importando onde ela esteja), o de
andar descalça, não ter
telefone em casa e não saber
dirigir o carro. Coisas tidas
como inimagináveis para uma
mulher tão familiarizada com
tecnologia, principal consultora
de empresas gigantes do ramo,
como a Intel e a Silicom
Graphics!
No Vale do Silício
(California, EUA) - região onde
estão concentradas as maiores
empresas de informática do
planeta - não é preciso dizer o
seu sobrenome. Todo mundo a
conhece como simplesmente Esther.
Mas na Internet, ela já recebeu
títulos de "Rainha do
Cyberespaco", "Mãe da
Comunidade Virtual"... e por
aí vai...
Esther reconhece que ser
mulher nesta selva informata não
é fácil. Ela tem que aturar
fofocas sobre sua vida pessoal,
inclusive sobre suas
preferências sexuais. Mas
ironiza: "eu tenho mais o
que fazer. Se tivesse que ser
mais popular, seria um Bill
Gates". E tem mesmo.
Workaholic assumida, Esther fala
fluentemente russo, francês,
inglês e alemão. Ela pode estar
numa reunião com empresários na
Rússia, pela manhã, e ter um
compromisso com o presidente da
Intel, à tarde, no Vale do
Silício.
Sua empresa, a EDventure
Holdings, pesquisa informações
emergentes na WWW e novas
tendências para o mercado
digital. Sua primeira
publicação high-tech foi em
parceria com o presidente da
Compaq, Ben Rosen, e chamou-se
Release 1.0. Agora, a obra que
está causando polêmica é o
livro Release 2.0 - A Design for
Living in The Digital Age. Com
307 páginas, o livro expõe as
teorias de Esther Dyson sobre a
melhor forma de preparar a
civilização de hoje para a era
digital. Alguns críticos
alfinetam, afirmando que o
fenômeno Dyson é muito mais uma
utopista do que realmente uma
teórica de base científica.
A principal teoria de Dyson é
que vamos passar de uma
comunidade centralizada para uma
mais independente e
individualista. "No lugar da
mass media, teremos informações
distribuídas e personalizadas.
Os pequenos terão mais força na
Internet", afirma. "A
rede é uma ferramenta que
ajudará comerciantes locais ou
associações de moradores a
terem mais influência em seus
meios. Eles terão o mesmo
espaço que empresas e grandes
instituições para divulgar seus
problemas. Um espaço que não
existe na grande imprensa",
teoriza. É pagar pra ver.
A rápida ascenção de Esther
Dyson talvez se deva à sua
familia tradicionalmente
intelectual e estudiosa de novas
tecnologias. Nascida em Zurique,
Suíça, ela é filha do fisico
Freeman Dyson (renomado na área)
e de uma matemática. Mudou para
Princeton (Estados Unidos) ainda
criança e cresceu no meio de
ganhadores de prêmios Nobel,
como o arquiteto da Bomba-H,
Edward Teller, amigo da família
Dyson. Aos 16 anos foi estudar
economia em Harvard. Depois de
concluído o curso, trabalhou
como repórter, durante três
anos, na revista Forbes. Seu
contato com computadores vem
desde a infância. Mas Dyson só
começou efetivamente a trabalhar
com a informática como analista
de segurança de dados, após
deixar a Forbes. Ela também
promove fóruns mundiais sobre
tecnologia. O próximo
acontecerá em outubro, em
Compenhaguem, na Dinamarca.
Para obter maiores
informações sobre a
"supercyberwoman", vale
procurar nos servidores de busca,
digitando o seu nome, ou no site
da empresa: http://www.edventure.com
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