....................................................................- .-Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
  CRISE
Para os EUA, resolução da ONU permite ataque imediato a Bagdá

WASHINGTON - Contrariando a maioria dos membros do Conselho de Segurança, os EUA alegaram, ontem, que a resolução ameaçando o Iraque com "as mais severas conseqüências" se ele não cumprir o acordo com a ONU para a inspeção de seus arsenais significa que o país será alvo de um ataque automático caso esse pacto seja violado.

"O significado de `as mais severas conseqüências' é claro: isso dá a autoridade para agir se o Iraque não cumprir seu compromisso", afirmou o presidente Bill Clinton. Seu porta-voz, Mike MCurry, foi mais explícito: "A expressão `mais severas conseqüências' significa ação militar".

E o embaixador americano na ONU, Bill Richardson, reforçou o recado: "Não será preciso reunir o conselho de novo - a resolução dispensa esse recurso", disse ele à TV francesa.

Em outra entrevista, Richardson afirmou: "Já tínhamos autoridade para usar a força e a resolução reforça esse ponto de vista - ela foi redigida de uma forma que deixa claro que qualquer Estado membro pode adotar uma ação unilateral se esse Estado sentir que há uma violação".

Mas, fora a Grã-Bretanha, os outros membros do Conselho de Segurança não dividem essa opinião. Durante a votação da resolução, na noite de segunda-feira, representantes da França, Rússia, China, Brasil e Portugal, entre outros, disseram que um eventual ataque precisará de aprovação específica do conselho. "A resolução é muito clara: não há automatismo de nenhum tipo", reiterou ontem um porta-voz da chancelaria francesa.

O documento, aprovado por 15 a 0, endossa o acordo acertado em fevereiro em Bagdá pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que prevê o acesso imediato, incondicional e irrestrito de inspetores de armas da organização - acompanhados por diplomatas de países do Conselho de Segurança - aos palácios iraquianos suspeitos de esconder armas de destruição em massa.

"Qualquer violação acarretará as mais severas conseqüências para o Iraque", diz a resolução. Mas acrescenta, no que é considerado pelos opositores do ataque automático uma garantia contra tal automaticidade: "O conselho decide permanecer ativamente ocupado da matéria para garantir o cumprimento de sua resolução, a paz e a segurança na área", diz o texto.

De qualquer forma, o Iraque garantiu ontem que o documento do conselho não altera sua decisão de cumprir o acordo. O chanceler Mohammed Said al-Sahaf disse que a ameaça contida na resolução "é só retórica política para salvar a cara dos americanos".

------------------------------------------



     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | Imagens do Dia |JC Debate | Roteiro | Weekend |
Bate-papo | Fale com o JC | Links | Busca | Classificados