CRISE
Para
os EUA, resolução da ONU
permite ataque imediato a BagdáWASHINGTON
- Contrariando a maioria dos
membros do Conselho de
Segurança, os EUA alegaram,
ontem, que a resolução
ameaçando o Iraque com "as
mais severas
conseqüências" se ele não
cumprir o acordo com a ONU para a
inspeção de seus arsenais
significa que o país será alvo
de um ataque automático caso
esse pacto seja violado.
"O significado de `as
mais severas conseqüências' é
claro: isso dá a autoridade para
agir se o Iraque não cumprir seu
compromisso", afirmou o
presidente Bill Clinton. Seu
porta-voz, Mike MCurry, foi mais
explícito: "A expressão
`mais severas conseqüências'
significa ação militar".
E o embaixador americano na
ONU, Bill Richardson, reforçou o
recado: "Não será preciso
reunir o conselho de novo - a
resolução dispensa esse
recurso", disse ele à TV
francesa.
Em outra entrevista,
Richardson afirmou: "Já
tínhamos autoridade para usar a
força e a resolução reforça
esse ponto de vista - ela foi
redigida de uma forma que deixa
claro que qualquer Estado membro
pode adotar uma ação unilateral
se esse Estado sentir que há uma
violação".
Mas, fora a Grã-Bretanha, os
outros membros do Conselho de
Segurança não dividem essa
opinião. Durante a votação da
resolução, na noite de
segunda-feira, representantes da
França, Rússia, China, Brasil e
Portugal, entre outros, disseram
que um eventual ataque precisará
de aprovação específica do
conselho. "A resolução é
muito clara: não há automatismo
de nenhum tipo", reiterou
ontem um porta-voz da chancelaria
francesa.
O documento, aprovado por 15 a
0, endossa o acordo acertado em
fevereiro em Bagdá pelo
secretário-geral da ONU, Kofi
Annan, que prevê o acesso
imediato, incondicional e
irrestrito de inspetores de armas
da organização - acompanhados
por diplomatas de países do
Conselho de Segurança - aos
palácios iraquianos suspeitos de
esconder armas de destruição em
massa.
"Qualquer violação
acarretará as mais severas
conseqüências para o
Iraque", diz a resolução.
Mas acrescenta, no que é
considerado pelos opositores do
ataque automático uma garantia
contra tal automaticidade:
"O conselho decide
permanecer ativamente ocupado da
matéria para garantir o
cumprimento de sua resolução, a
paz e a segurança na
área", diz o texto.
De qualquer forma, o Iraque
garantiu ontem que o documento do
conselho não altera sua decisão
de cumprir o acordo. O chanceler
Mohammed Said al-Sahaf disse que
a ameaça contida na resolução
"é só retórica política
para salvar a cara dos
americanos".
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