JORNAL
DAS RUAS
Jomeri Pontes
Quando
a Justiça tarda e falha
Era julho de 1997 e um rapaz
esperava, já meio sem
esperanças, que os portões do
Presídio Professor Aníbal Bruno
se abrissem para lhe devolver a
liberdade, atrasada pelo menos
quatro anos. Isso mesmo. Já
havia passado aquele tempo todo,
depois de cumprir a pena por
tentativa de roubo a uma casa em
Paudalho, e nada de a direção
anunciar que ele poderia ver o
sol redondo, novamente. De tão
triste, parecia alheio à
gritaria generalizada no
pavilhão e permaneceu espremido,
mudo, depois de perguntar por
quê ninguém fazia nada para
livrá-lo de algo que já tinha
pago. Agora, depois que um
punhado de detentos da Barreto
Campelo, em condições
semelhantes, resolveu passar fome
para protestar contra a demora na
revisão dos processos, o rapaz
pode obter a resposta. É que os
recursos humanos são escassos,
falta de psicólogo a assistente
social. Pouca coisa, nada que
não se possa resolver com um
mutirãozinho daqui, uma promessa
de concurso dali. Para a
felicidade do governo, o
faz-de-conta que vai fazer dura
só até não minguarem as
manchetes sobre o assunto. Depois
é relaxar e pôr, novamente, a
paciência dos presos em
banho-maria.
Nem algodão nem boa
vontade
Domingo de manhã, I.M.L
caminhava na Avenida Dantas
Barreto para o local onde faria
um concurso quando foi arrastada
e estuprada. Mesmo no auge do
desespero, reuniu forças e tomou
a primeira providência: foi ao
Instituto de Medicina Legal pedir
a realização do exame
sexológico, que comprovaria a
violência sofrida.
Como angústia pouca é
bobagem, I.M.L não acreditou
quando recebeu dos atendentes
orientação para voltar para
casa, permanecer sem tomar banho
e retornar no dia seguinte.
Alegaram que não havia algodão
no Instituto, razão pela qual o
exame não seria feito. A mulher
foi socorrida pela irmã, que
correu à farmácia mais
próxima.
Acidente
À noite, na Avenida Sul, é
uma festa. Os motoristas
aproveitam para se vingar
direitinho do novo Código
Nacional de Trânsito, queimando
sinais e fazendo retornos
proibidos. Mas nem sempre tudo
termina bem. Ontem, por exemplo,
a brincadeira deixou um poste no
chão, como mostra a foto de
Geraldo Guimarães.
Sem energia
O Centro de Saúde Lessa de
Andrade experimentou, ontem, a
mesma aflição vivida por
milhares de cariocas: ficou sem
energia e precisou cancelar o
atendimento por 24 horas.
Promessa
Na campanha eleitoral, o povo
de Águas Cumpridas (Olinda)
chegou a acreditar que a
escadaria da Rua da Conceição
seria construída. Mas a
eleição passou. Nada feito.
Carimbo
Os homens que se dirigirem ao
Aníbal Bruno, a partir do
próximo domingo, vão ganhar um
carimbo na mão. Foi a maneira
mais segura e prática que a
direção do presídio encontrou
para não confundir visitas com
detentos e evitar filas na
entrada.
Pedido rejeitado
Como corre à boca miúda que
o concurso da Assembléia é um
jogo de cartas marcadas, o
deputado Carlos Batata (PSB)
resolveu sugerir à Mesa Diretora
que os aprovados só fossem
nomeados após as eleições.
Ouviu um sonoro "não"
ao seu pedido.
Assaltos
Moradores de Candeias estão
assombrados com um ciclista que,
de pistola em punho, assalta na
Avenida Santa Lúcia. Além
desse, outros marginais pintam
miséria, já que o policiamento
na área é quase uma
abstração.
Turismo
A Embratur já descobriu que
tratar bem o turista é uma
questão de receita e a
Secretaria de Ação Social
parece concordar. Decidiu fazer
cursos gratuitos para ensinar
como atender melhor a quem chega.

|