- - - - . .......................................................-...........Jornal do Commercio, Recife, 04 de março de 1998
 

JORNAL DAS RUAS
Jomeri Pontes

Quando a Justiça tarda e falha

Era julho de 1997 e um rapaz esperava, já meio sem esperanças, que os portões do Presídio Professor Aníbal Bruno se abrissem para lhe devolver a liberdade, atrasada pelo menos quatro anos. Isso mesmo. Já havia passado aquele tempo todo, depois de cumprir a pena por tentativa de roubo a uma casa em Paudalho, e nada de a direção anunciar que ele poderia ver o sol redondo, novamente. De tão triste, parecia alheio à gritaria generalizada no pavilhão e permaneceu espremido, mudo, depois de perguntar por quê ninguém fazia nada para livrá-lo de algo que já tinha pago. Agora, depois que um punhado de detentos da Barreto Campelo, em condições semelhantes, resolveu passar fome para protestar contra a demora na revisão dos processos, o rapaz pode obter a resposta. É que os recursos humanos são escassos, falta de psicólogo a assistente social. Pouca coisa, nada que não se possa resolver com um mutirãozinho daqui, uma promessa de concurso dali. Para a felicidade do governo, o faz-de-conta que vai fazer dura só até não minguarem as manchetes sobre o assunto. Depois é relaxar e pôr, novamente, a paciência dos presos em banho-maria.

Nem algodão nem boa vontade

Domingo de manhã, I.M.L caminhava na Avenida Dantas Barreto para o local onde faria um concurso quando foi arrastada e estuprada. Mesmo no auge do desespero, reuniu forças e tomou a primeira providência: foi ao Instituto de Medicina Legal pedir a realização do exame sexológico, que comprovaria a violência sofrida.

Como angústia pouca é bobagem, I.M.L não acreditou quando recebeu dos atendentes orientação para voltar para casa, permanecer sem tomar banho e retornar no dia seguinte. Alegaram que não havia algodão no Instituto, razão pela qual o exame não seria feito. A mulher foi socorrida pela irmã, que correu à farmácia mais próxima.

Acidente

À noite, na Avenida Sul, é uma festa. Os motoristas aproveitam para se vingar direitinho do novo Código Nacional de Trânsito, queimando sinais e fazendo retornos proibidos. Mas nem sempre tudo termina bem. Ontem, por exemplo, a brincadeira deixou um poste no chão, como mostra a foto de Geraldo Guimarães.

Sem energia

O Centro de Saúde Lessa de Andrade experimentou, ontem, a mesma aflição vivida por milhares de cariocas: ficou sem energia e precisou cancelar o atendimento por 24 horas.

Promessa

Na campanha eleitoral, o povo de Águas Cumpridas (Olinda) chegou a acreditar que a escadaria da Rua da Conceição seria construída. Mas a eleição passou. Nada feito.

Carimbo

Os homens que se dirigirem ao Aníbal Bruno, a partir do próximo domingo, vão ganhar um carimbo na mão. Foi a maneira mais segura e prática que a direção do presídio encontrou para não confundir visitas com detentos e evitar filas na entrada.

Pedido rejeitado

Como corre à boca miúda que o concurso da Assembléia é um jogo de cartas marcadas, o deputado Carlos Batata (PSB) resolveu sugerir à Mesa Diretora que os aprovados só fossem nomeados após as eleições. Ouviu um sonoro "não" ao seu pedido.

Assaltos

Moradores de Candeias estão assombrados com um ciclista que, de pistola em punho, assalta na Avenida Santa Lúcia. Além desse, outros marginais pintam miséria, já que o policiamento na área é quase uma abstração.

Turismo

A Embratur já descobriu que tratar bem o turista é uma questão de receita e a Secretaria de Ação Social parece concordar. Decidiu fazer cursos gratuitos para ensinar como atender melhor a quem chega.

     

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