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Governo
Arraes será investigado pelo STJpor REJANE OLIVEIRA
Da Sucursal
BRASÍLIA - O
Ministério Público Federal
requereu ontem ao Superior
Tribunal de Justiça a abertura
de inquérito para apurar o
envolvimento do governador Miguel
Arraes (PSB) no escândalo dos
precatórios. O requerimento,
assinado pelos subprocuradores
Delza Curvello Rocha, Ednaldo
Holanda e Haroldo Ferraz,
baseia-se nas conclusões da CPI
que agitou a política nacional
em 96, e elenca uma série de
irregularidades cometidas pelo
Governo de Pernambuco para
justificar a emissão de 480
milhões em títulos públicos do
Estado.
Em nota distribuída à
imprensa, logo após dar entrada
no pedido contra Arraes, o
procurador-geral da Republica,
Geraldo Brindeiro, afirmou que os
três subprocuradores que assinam
o processo acompanharam a CPI dos
Precatórios e "estão
agindo corretamente, de forma
técnico-jurídica". Segundo
ele, "o Ministério Público
não deve se envolver em
questões políticas,
partidárias e eleitorais nos
Estados objetos da CPI. A
eficiência deve ser jurídica,
para obter resultados e evitar a
rejeição de denúncias".
A Procuradoria-Geral começou
a ressuscitar o escândalo dos
precatórios anteontem, ao pedir
a abertura de inquérito contra o
ex-governadro Divaldo Suruagy, de
Alagoas. Ontem foi a vez de
Miguel Arraes, e para amanhã
está prevista denúncia contra o
governador de Santa Catarina,
Paulo Afonso. Paralelamente, a
Fazenda Pública de São Paulo
cassou, na última segunda-feira,
os direitos políticos do atual e
do ex-prefeito de São Paulo,
Celso Pitta e Paulo Maluf,
também envolvidos no caso dos
precatórios. Os dois devem
recorrer da sentença para não
ficarem inelegíveis no próximo
pleito - Maluf é candidato a
governador do Estado.
INQUÉRITO - No pedido
de abertura de inquérito contra
o governador Miguel Arraes, e
citando as conclusões da CPI, os
subprocuradores acusam o Governo
do Estado de ter
"superestimado a correção
monetária a ser aplicada aos
precatórios, e praticado
artifícios como o de incluir
como pendentes de pagamento
precatórios já quitados".
Além disso, a oferta dos
títulos estaduais teria ocorrido
sem a necessária divulgação,
"exatamente para que não
ocorressem ofertas de aquisição
dos títulos que, em
consequência, foram transferidos
para o Fundo de Liquidez, e a
partir daí colocados com
exclusividade no mercado pelo
Banco Vetor, procedidas essas
operações da autorização
prévia da Administração
Estadual".
Essas operações, segundo o
Ministério Público, teriam sido
realizadas "com prejuízo
para o Estado de Pernambuco, em
face da concessão de daságio na
ordem de R$ 100 milhões na venda
dos títulos, bem como do
pagamento de vultuosas comissões
ao Banco Vetor e ao Bandepe, num
total de R$ 26 milhões".
Apenas uma pequena parcela desses
recursos teria sido efetivamente
destinada pelo Governo do Estado
ao pagamento de precatórios,
"desviados os recursos de
sua finalidade
constitucional".
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