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ALBERGUES
Como
se hospedar bem e não pagar caropor LYANE CIRENO
Fabiano Siqueira, Allan
Frenkiel, Toberto Correia Gondim
e Bruno Bar, todos cariocas 20
anos, amigos de infância. De
malas prontas e com a idéia fixa
na cabeça de pôr os pés no
mundo, eis que surge o primeiro
obstáculo: dinheiro. Allan, já
mais experiente, sugere: Guia
Brasil, albergues da juventude,
Estado de Pernambuco. A única
resposta encontrada no livreto:
Albergue da Juventude Cheiro do
Mar, Olinda. Mesmo diante de um
quadro tão restrito o grupo
segue sem olhar para trás.
Destino traçado, os jovens
chegam ao alojamento. Mas como
são e quais os serviços
oferecidos pelos albergues? Para
atender ao público predominante
deste tipo de hospedagem - jovens
que estão atrás de aventura - a
casa à beira mar oferece oito
quartos, que comportam entre
quatro, seis, oito e dez pessoas
cada. Apertado? De jeito nenhum,
o importante é não deixar a
energia e o espírito de aventura
passarem.
Os banheiros coletivos são
três, cada um com dois boxes,
sendo um masculino, um feminino e
outro unissex - com chave na
porta, claro. Como tudo é
coletivo, o que acaba acarretando
em outro ponto positivo e
característico dos albergues, a
facilidade de aproximar as
pessoas e abrir oportunidades
para novas "amizades",
a sala de televisão também é
compartilhada por todos. Uma
varanda com vista para o mar, com
aquela tradicional redezinha, é
uma das poucas mordomias do
albergue.
As roupas são lavadas pelos
próprios alberguistas. Já para
aqueles mais preguiçosos ou
acomodados, o serviço é
oferecido somente com o pagamento
extra que varia de acordo com a
quantidade, a peça e o tecido. O
café da manhã, única
refeição servida pelo albergue,
está a disposição até ás
9h30, mas a cozinha e a geladeira
ficam a critério do hóspede
mais prendado.
Embora o ar-condicionado do
quarto tenha sido substituído
por ventiladores de teto,
Fabiano, um dos quatro amigos
viajantes e o "calouro em
albergues", diz estar
adorando a moradia e
especialmente a receptividade de
Dona Sônia, uma das três
funcionárias do albergue.
"Aqui é muito bom.
Tranqüilo, parece até minha
casa", brinca. O
especialista em albergues da
turma, Allan, concorda com o
amigo e ainda vai mais além:
"É um dos melhores que eu
já conheci".
A paulista Simone David
Toledo, 29 anos, tem um espírito
aventureiro e em suas viagens
pelo Brasil afora não deixa a
hospedagem do albergue por nada
neste mundo. Com uma experiência
de sete anos em albergues, ela
tem na ponta da língua as
vantagens de se recorrer a um
serviço como este. "É bem
mais barato, de R$ 10,00 a R$
14,00 a diária, e dá
oportunidade de conhecer várias
pessoas, inclusive de outros
países", comenta.
"Além de ter tudo, você
fica bem mais à vontade do que
um hotel, que é cheio de
regras", continua Simone.
Funcionando há dez anos na
Av. Beira Mar de Olinda, o
Albergue da Juventude Cheiro do
Mar é o único albergue
pernambucano a ser cadastrado na
Federação Brasileira de
Albergues da Juventude, com sede
no Rio de Janeiro. Dentro do
conceito adotado pela Federação
- regular, bom e ótimo - ele é
considerado bom, embora a maioria
dos alberguistas com experiência
pelo Brasil o considerem ótimo.
Luis Rogério de Souza,
paulista, 27 anos, diz já ter
rodado quase todo o país sempre
se instalando em albergues, e
garante que o Cheiro do Mar é um
dos melhores pelo qual já
passou. Quanto ao quesito
limpeza, os alberguistas não tem
do que reclamar, o alojamento é
impecável.
O proprietário do Cheiro do
Mar, João Amaral, diz que o
albergue vive da alta estação e
do período de carnaval.
"Pernambuco não é igual a
São Paulo e Rio onde os
albergues do Centro se interligam
com os do interior havendo um
giro permanente de pessoas e,
conseqüentemente de
dinheiro". E aposta:
"Se abrissem novos albergues
em Garanhuns, por exemplo seria
ótimo para o mercado".
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