SECA
FHC
diz que sua visita ao Ceará não
é em campanha eleitoralTEJUÇUOCA (CE) -
O presidente Fernando Henrique
Cardoso tentou ontem, desvincular
sua visita ao sertão do Ceará
da campanha eleitoral. FHC negou
que a visita, inicialmente
prevista para a quinta-feira,
tenha sido antecipada em função
do roteiro que o pré-candidato
do PT à presidência, Luiz
Inácio Lula da Silva, também
estava fazendo no Estado ontem.
Enquanto FHC ficou a oeste, em
Tejuçuoca, Lula foi a
Quixeramobim e Jaguaruana, na
região central do estado.
"Há uma
semana eu já tinha marcado isso.
Eu não antecipei nada, havia
combinado com o governador Tasso
Jereissati que eu viria hoje
(ontem). Eu apenas não havia
comunicado porque não tinha
decidido se vinha mesmo",
disse o presidente. FHC repetiu
que não está em campanha e que
teme que a seca, se transforme em
objeto de exploração política.
"Seca mexe com o povo",
afirmou.
Ele disse que
ainda esta semana estará no
interior da Bahia visitando outra
área de seca, como parte da
série de visitas que pretende
realizar ao sertão nordestino.
"Eu sou o presidente da
República, tenho um peso enorme
de responsabilidades políticas e
administrativas pelo Brasil. Eu
não posso estar todo o tempo
pensando em campanhas, todo o
tempo falando em campanha. Eu
não estou em campanha",
afirmou.
Entre risos
discretos, FHC disse que
"maldade está em toda a
parte" e que acharia bom
até mesmo que Lula estivesse em
Tejuçuoca com ele. "Não
tenho nada contra. Ao contrário,
se ele (Lula) quisesse estar
junto comigo, aqui, eu estaria
também. Diante da seca, nós
temos que nos unir e não nos
separar", disse.
O presidente
afirmou que ambos estavam
"no coração da zona pobre
do Ceará" e que somente com
o trabalho combinado dos
prefeitos com o governador, com
as autoridades federais e da
população é que haveria
mudanças. "O Brasil só
muda com muito trabalho,
sobretudo com muito esforço
coletivo".
CRÍTICAS -
O presidente Fernando Henrique
Cardoso desconsiderou as
críticas feitas pelo ministro do
Supremo Tribunal Federal,
Sepúlveda Pertence, de que o
agravamento do problema da seca e
fome no Nordeste deve-se à falta
de gerenciamento por parte do
governo. "Eu não opino
sobre o ministro Pertence porque
ele não devia opinar, como
ministro, sobre o que ele não
sabe", atacou.
Ao lado do
bispo da região, Dom Benedito
Francisco Albuquerque, FHC
defendeu o diálogo e afirmou que
"saques só em extrema
necessidade". O presidente
apelou não só à Igreja
Católica, mas a todas as
igrejas", que ajudem à
população. Para ele, os saques,
que ocorreram ontem nas cidades
de Senador Só, Lavras,
Tabuleiro, Morrinhos e Tauá,
"não se espalharão porque
o governo está distribuindo
alimentos nas regiões
necessitadas".
"Não
critico quem está com
fome", disse. "Critico
quem não está com fome e está
usando a fome para incentivar os
saques". Em seguida,
referindo-se novamente a
Pertence, afirmou que quem não
conhece a realidade, deveria ser
humilde e não opinar sobre o que
não sabe: "Só não pode
haver uma coisa, quem não
entende, não está por dentro,
quem não está trabalhando,
apenas opinar para querer
aparecer nos jornais... Isso é
muito feio".