CAMPO
Jungmann
vê na reforma solução do
desempregoRIO - O ministro
extraordinário de Política
Fundiária, Raul Jungmann, disse
ontem que a reforma agrária deve
ser encarada como uma solução
para o problema do desemprego e o
objetivo do Governo é assentar
100 mil famílias em 98. "A
reforma pode ser uma estratégia
de gerar empregos no campo,
contornando o déficit do setor
urbano", afirmou Jungmann.
Ele defendeu a descentralização
da reforma agrária, com a
participação de estados e
municípios.
Para o
ministro, o único inimigo da
reforma hoje é o Estado; não
mais os grandes latifundiários.
Raul Jungman participou da
abertura do Seminário
Internacional Reforma Agrária e
Democracia: A Perspectiva das
Sociedades Civis, organizado pelo
Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas (Ibase), no
Rio.
Jungmann
defendeu mudanças na forma de
encarar a reforma agrária e
criticou o Estado. "Nas
décadas de 50 e 60 a necessidade
da reforma agrária estava
relacionada à
industrialização, ao rompimento
com o latifúndio e à criação
de um mercado interno",
afirmou. "Como isso já
aconteceu, ainda que de forma
excludente, é preciso reciclar
essa necessidade e voltar a
atenção para o emprego".
DESCENTRALIZAÇÃO
- Na avaliação do ministro,
no entanto, o Estado e o próprio
modelo estabelecido para a
reforma agrária constituem
empecilhos para as mudanças:
"O desafio atualmente é
fazer com que o Estado tenha
capacidade de intervenção,
velocidade e um novo modelo de
reforma". Segundo Jungaman,
a descentralização do modelo de
reforma é imperativa.
"Herdamos esse modelo,
centralizador, dos militares,
cujo objetivo era a segurança
nacional", lembrou.
Para Jungmann,
os órgãos federais devem tratar
apenas da terra e deixar as
demais questões, como saúde,
educação e impostos, para os
estados e municípios. Segundo o
ministro, os movimentos sociais,
em especial o Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem-Terra,
são fundamentais para o
processo.