CONGRESSO
Editores
dos EUA apostam na América
Latina"Todos os editores
americanos dizem que a América
Latina é a Europa do Leste dos
anos 90. Ou seja, é o mercado
mais quente atualmente das
comunicações", disse o
representante do jornal The New
York Times, James Brooke, na
palestra que proferiu, ontem, no
primeiro dia de debates do 23º
Congresso Mundial de Jornalistas.
Crítico, Brooke não deixou
passar a oportunidade de
alfinetar, embora em tom de
brincadeira, a falta de
ar-condicionado do Centro de
Convenções durante quase toda a
manhã. "Jornalismo é a
melhor de todas as profissões.
Melhor até do que engenharia.
Tanto é que estamos discutindo
aqui dentro de uma sauna",
disse.
Mediada pelo
editor-geral do Jornal do
Commercio, Ivanildo Sampaio, a
palestra teve como tema "Do
chumbo ao silício, o que mudou
nesse grande hospício?", na
qual James Brooke ressaltou a
importância da informatização
da imprensa lembrando que o
Brasil, que continua não sendo
notícia em larga escala nos
Estados Unidos, já é visto ao
vivo em algumas transmissões via
Internet. "Já lemos vários
jornais brasileiros on-line, mas
antes os recebíamos com uma
semana de atraso".
Brooke não
deixou de destacar o avanço da
imprensa brasileira nas últimas
décadas, ressaltando as
coberturas do escândalo que
levou ao impeachment do
ex-presidente Fernando Collor e
da máfia do orçamento, entre
outras, "o que prova que se
trata de uma imprensa forte e
rica", acentuou.
Ele preferiu,
contudo, concentrar sua fala na
descoberta do mercado
latino-americano pela imprensa
americana, argumentando que em
1996, por exemplo, a revista
Seleções, publicada pela
Reader's Digest, pulou de 35 mil
exemplares mensais para 600 mil,
"o que é uma coisa inédita
no mundo", frisou.
Nos últimos
dois anos - observou o jornalista
americano - uma enxurrada de
publicações dos Estados Unidos
foram lançadas em espanhol na
América Latina e muitas estão
para sair em português, no
Brasil. "O jornal Miami
Herald já é publicado
normalmente no Brasil desde abril
passado, enquanto o Wall Street,
o Times e o Fortune estão saindo
como suplementos nos principais
jornais brasileiros",
destacou.