- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998

CONGRESSO
Editores dos EUA apostam na América Latina

"Todos os editores americanos dizem que a América Latina é a Europa do Leste dos anos 90. Ou seja, é o mercado mais quente atualmente das comunicações", disse o representante do jornal The New York Times, James Brooke, na palestra que proferiu, ontem, no primeiro dia de debates do 23º Congresso Mundial de Jornalistas. Crítico, Brooke não deixou passar a oportunidade de alfinetar, embora em tom de brincadeira, a falta de ar-condicionado do Centro de Convenções durante quase toda a manhã. "Jornalismo é a melhor de todas as profissões. Melhor até do que engenharia. Tanto é que estamos discutindo aqui dentro de uma sauna", disse.

Mediada pelo editor-geral do Jornal do Commercio, Ivanildo Sampaio, a palestra teve como tema "Do chumbo ao silício, o que mudou nesse grande hospício?", na qual James Brooke ressaltou a importância da informatização da imprensa lembrando que o Brasil, que continua não sendo notícia em larga escala nos Estados Unidos, já é visto ao vivo em algumas transmissões via Internet. "Já lemos vários jornais brasileiros on-line, mas antes os recebíamos com uma semana de atraso".

Brooke não deixou de destacar o avanço da imprensa brasileira nas últimas décadas, ressaltando as coberturas do escândalo que levou ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor e da máfia do orçamento, entre outras, "o que prova que se trata de uma imprensa forte e rica", acentuou.

Ele preferiu, contudo, concentrar sua fala na descoberta do mercado latino-americano pela imprensa americana, argumentando que em 1996, por exemplo, a revista Seleções, publicada pela Reader's Digest, pulou de 35 mil exemplares mensais para 600 mil, "o que é uma coisa inédita no mundo", frisou.

Nos últimos dois anos - observou o jornalista americano - uma enxurrada de publicações dos Estados Unidos foram lançadas em espanhol na América Latina e muitas estão para sair em português, no Brasil. "O jornal Miami Herald já é publicado normalmente no Brasil desde abril passado, enquanto o Wall Street, o Times e o Fortune estão saindo como suplementos nos principais jornais brasileiros", destacou.


     

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