JUSTIÇA
Mães
solteiras querem agilizar
reconhecimento de paternidadepor CRISTIANO
JERÔNIMO
Três dias
antes dos festejos do Dia das
Mães, um grupo de mais de 200
genitoras da Associação
Pernambucana de Mães Solteiras
(Apemas) se reúne para debater
as dificuldades judiciais no
reconhecimento da paternidade dos
seus filhos. "Sem os pais
para comprar presentes para as
crianças nos presentear, não
temos muito o que festejar no
próximo domingo", diz a
presidente da Apemas, Marli
Márcia da Silva.
O
"machismo judicial" e a
morosidade da Justiça - motivo
da maioria das mães desistirem
de lutar pelo registro paterno
das suas crianças, segundo Marli
Márcia - são os temas básicos
do encontro, na Câmara Municipal
do Recife, marcado para a
próxima quinta-feira, às 14h.
Entre os participantes do debate,
estão o presidente do Tribunal
de Justiça de Pernambuco,
Etério Galvão; a advogada
Nadeje Guimarães; e a promotora
do Ministério Público (MP),
Ângela Simões.
Também
coordenadora da Cidadania no MP,
Ângela Simões critica a falta
de aplicação da Lei Federal nº
8560/92 que permite aos
cartórios de família,
vinculados às suas varas
correspondentes, notificarem o
suposto pai da criança para ele
reconhecer ou não a tutela do
filho. "Aqui tudo é
primitivo. Já no Distrito
Federal o Governo custeia o exame
de DNA, que é conclusivo na
prova paternal", destaca.
Um "jogo
de empurra-empurra" entre o
Ministério Público e a
Assistência Judiciária Estadual
(AJ), na opinião da promotora
pública, é o principal fator de
desestímulo para as mães.
"A AJ está desestruturada e
o MP já está cheio de
atribuições e ocupações. É
urgente a criação de uma
Defensoria Pública e a
conscientização dos juristas
machistas e
preconceituosos", defende.
Quem mais sofre
com a não-identificação dos
pais de seus filhos são as
mulheres de baixa renda. A
afirmação vem da presidente da
Apemas, Marli Márcia, que admira
as mulheres com condições de
custear advogados e os exames de
DNA, feitos em Minas Gerais por
R$ 2,5 mil. "Mas aqui, os
próprios advogados públicos
colocam obstáculos e são
machistas", atesta.
"GOLPE
DO BEBÊ" - A promotora
pública Ângela Simões alerta,
no entanto, que muitas mulheres
se aproveitam de homens com uma
certa estabilidade financeira
para aplicar o que ela chama de
"Golpe do Bebê". A
promotora ressalta que é preciso
ficar atento, pois a pensão
alimentícia está hoje girando
em torno de 30% do salário do
pai.
A
vice-presidente da Apemas, Rita
de Cássia Bezerra, coloca que os
homens sempre se sentem golpeados
pelas mães solteiras. "Não
é sempre, mas tem uma mulher que
tira R$ 300,00 pelos 20% do
salário do pai do menino".