JUSTIÇA II
Lentidão
da Justiça faz mulheres
desistiremA maioria das mulheres
que entra na Justiça para ver o
filho registrado pelo pai desiste
antes de alcançar o seu
objetivo. O motivo é a demora
média de cinco anos para haver
um desfecho, que nem sempre
resulta no sucesso da genitora.
Maria de Lourdes da Conceição,
38, já pensa em desistir dos
três anos de luta judicial pelo
reconhecimento da paternidade da
filha Andreza Stephanie da
Conceição, 11.
Ela lembra que,
há nove anos, quando Andreza
tinha apenas um ano e meio, os
advogados da Assistência
Judiciária aconselhavam-na a
registrar sozinha a filha.
"Eles diziam que ia demorar
muito e era quase impossível
provar a paternidade. Então
deixei para lá". Ela lembra
que só voltou à Justiça quando
o pai, Claudino Batista
Figueiredo Neto, desistiu de
pagar a escola da menina.
"Mas a Justiça é mais para
o lado do homem e eu vou
abandonar a causa", lamenta.
Foi motivada
pela indiferença do pai de
Ulisses Inácio Neto, de quatro
anos, que a presidente da Apemas,
Marli, criou o movimento das
"sem-pensão" e entrou
na briga para conseguir do
advogado Hélio Rodrigues da
Silva uma ajuda mensal. "Fui
intimada em abril do ano passado
para resolver a questão. Como
Hélio não apareceu, eles
marcaram a nova audiência para o
próximo mês de julho. E assim
vai...". Ela dispara:
"ser mãe solteira é matar
um leão por dia para sobreviver
como homem e mulher".