- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998

JUSTIÇA II
Lentidão da Justiça faz mulheres desistirem

A maioria das mulheres que entra na Justiça para ver o filho registrado pelo pai desiste antes de alcançar o seu objetivo. O motivo é a demora média de cinco anos para haver um desfecho, que nem sempre resulta no sucesso da genitora. Maria de Lourdes da Conceição, 38, já pensa em desistir dos três anos de luta judicial pelo reconhecimento da paternidade da filha Andreza Stephanie da Conceição, 11.

Ela lembra que, há nove anos, quando Andreza tinha apenas um ano e meio, os advogados da Assistência Judiciária aconselhavam-na a registrar sozinha a filha. "Eles diziam que ia demorar muito e era quase impossível provar a paternidade. Então deixei para lá". Ela lembra que só voltou à Justiça quando o pai, Claudino Batista Figueiredo Neto, desistiu de pagar a escola da menina. "Mas a Justiça é mais para o lado do homem e eu vou abandonar a causa", lamenta.

Foi motivada pela indiferença do pai de Ulisses Inácio Neto, de quatro anos, que a presidente da Apemas, Marli, criou o movimento das "sem-pensão" e entrou na briga para conseguir do advogado Hélio Rodrigues da Silva uma ajuda mensal. "Fui intimada em abril do ano passado para resolver a questão. Como Hélio não apareceu, eles marcaram a nova audiência para o próximo mês de julho. E assim vai...". Ela dispara: "ser mãe solteira é matar um leão por dia para sobreviver como homem e mulher".


     

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