ASTRONOMIA
Estrela
pode ser o maior diamante do
universoPORTO ALEGRE - A
partir de estudos realizados nos
últimos 19 dias e concluídos
ontem, cientistas de todo o mundo
poderão saber dentro de duas
semanas se uma estrela, a BPM
37093, do tamanho da Terra, é
feita mesmo de um único diamante
(cristal de carbono contaminado
com oxigênio), conforme acredita
seu descobridor, o astrônomo
baiano Kepler de Oliveira Filho.
"Seria o maior diamante do
universo".
Chefe do
Departamento de Astronomia do
Instituto de Física da
Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), Kepler
informou que a estrela está
situada na Constelação do
Centauro, a 17 mil anos-luz da
Terra. Ele fez a descoberta junto
com dois alunos (atuais
professores nas universidades de
Santa Maria e Caxias do Sul)
Antônio Kanaan e Odilon
Giovannini, em 1991, e sob
observação, desde então, de
astrônomos de 13 países,
reunidos numa entidade, presidida
pelo próprio Kepler.
Essa BPM 37093
é uma estrela anã branca,
núcleo de grandes massas que
implodem e cuja "densidade
média, altíssima, é 20 mil
vezes maior do que a platina, o
objeto mais denso da Terra",
contou Kepler. As estrelas anãs
são "as mais velhas da
nossa galáxia" e seu
estudo, como no caso da BPM
37093, visa ajudar os cientistas
a obterem "informações
sobre a teoria de evolução das
estrelas, que vai levar a
determinar a idade de nossa
galáxia e, em conseqüência, do
universo".
A estrela BPM
37093, conforme estudos dos
cientistas, se transformou num
único e enorme cristal de
carbono com oxigênio, ou seja,
virou um diamante do tamanho
aproximado da Terra.
Foi aquele
mesmo grupo de cientistas que
decidiu fazer uma pesquisa
intensiva da estrela desde o dia
16 de abril, com uso de
telescópios do Chile, África do
Sul, Austrália e Nova Zelândia,
para comprovar tratar-se mesmo de
um diamante único, ou não.
A estrela sob
observação tem densidade
aproximada de 4 milhões de
gramas por centímetro cúbico e
temperatura mais quente que o
Sol, variando de 12 mil a 12,5
mil graus centígrados.
"Há um
estudo das variações das ondas
de luz emitidas pelas estrelas
pelas quais se analisa o interior
dos astros. Não é possível ver
diretamente o interior das
estrelas, ocultado por sua
atmosfera. Pode haver outras
estrelas compostas de diamante,
mas essa é a única que se
conhece", afirmou Kepler.