PRIVATIZAÇÃO
BNDES
pode voltar a antecipar receitasRIO - O
presidente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), André Lara
Rezende, assumiu ontem o cargo
antecipando duas novidades
importantes. Admitiu a
possibilidade de o BNDES voltar a
antecipar receitas para estatais
em vias de privatização e até
mesmo de financiar a aquisição
dessas companhias nos leilões de
privatização. E o mais
relevante: a regra, segundo ele,
valeria tanto para empresas
estaduais quanto para federais.
Neste ano, o banco havia
interrompido essas operações,
que já somam R$ 2,7 bilhões,
diante da escassez de recursos
(R$ 17 bilhões para 1998) ante a
demanda por investimentos, que
já soma R$ 22 bilhões.
"Sempre
haverá falta de dinheiro frente
à demanda", disse Lara
Rezende, pouco após da
cerimônia de transmissão de
posse, quando recebeu o cargo de
seu antecessor, o ministro das
Comunicações, Luiz Carlos
Mendonça de Barros. "Mas o
banco atuou com muito sucesso
nessas operações, não vejo por
que não voltaríamos a antecipar
receitas e mesmo financiar a
compra", disse.
Outra novidade
que, se concretizada, aumentará
a atratividade da privatização
da Telebrás, é a possibilidade
de o governo financiar os grupos
interessados em adquirir as
empresas tanto da banda A, de
telefonia celular, quanto da
telefonia fixa. Esse
financiamento não ocorreu no
leilão da Banda B, embora a
empresa de participação do
banco, a Bndespar, pudesse
participar de até 20%, ou R$ 200
milhões, o que fosse menor, de
grupos interessados em concorrer
às licitações para a banda B.
Mas ainda não há decisões a
esse respeito.
No auditório
do BNDES em que foi feita a
cerimônia de posse, pela
primeira vez em cinco anos foi
pronunciado o nome do
ex-presidente do BNDES, Eduardo
Modiano, que, estava na platéia.
O autor da citação foi André
Lara Resende, que se referiu a
ele, a Pérsio Arida e a Edmar
Bacha como ex-dirigentes do
banco, também economistas
envolvidos com os planos de
estabilização do País.
"Temos no governo um grande
grupo de pessoas com as mesmas
idéias, trabalhando
harmoniosamente em nome de
objetivos comuns",
assegurou.
TELEBRÁS -
Mendonça de Barros já fala que
"maximizar" o valor de
venda da Telebrás é prioridade.
Entre o modelo e o preço, o novo
ministro já indicou que deve
privilegiar o segundo. Barros
disse que entra no processo de
privatização no momento certo
para atrair compradores e
"atiçar" o preço. Mas
ainda não corroborou
integralmente a avaliação de
Lara Rezende, de que qualquer
atraso se justifica desde que se
alcance o melhor preço para a
Telebrás. Na semana passada, o
ministro chegou a considerar
atraso de até duas semanas no
calendário da privatização da
Telebrás e, no dia seguinte,
insistiu que o cronograma será
cumprido, embora tenha
reconhecido que a data prevista
para a assembléia de criação
das 12 holdings fora
comprometida.