- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998

PRIVATIZAÇÃO
BNDES pode voltar a antecipar receitas

RIO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), André Lara Rezende, assumiu ontem o cargo antecipando duas novidades importantes. Admitiu a possibilidade de o BNDES voltar a antecipar receitas para estatais em vias de privatização e até mesmo de financiar a aquisição dessas companhias nos leilões de privatização. E o mais relevante: a regra, segundo ele, valeria tanto para empresas estaduais quanto para federais. Neste ano, o banco havia interrompido essas operações, que já somam R$ 2,7 bilhões, diante da escassez de recursos (R$ 17 bilhões para 1998) ante a demanda por investimentos, que já soma R$ 22 bilhões.

"Sempre haverá falta de dinheiro frente à demanda", disse Lara Rezende, pouco após da cerimônia de transmissão de posse, quando recebeu o cargo de seu antecessor, o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. "Mas o banco atuou com muito sucesso nessas operações, não vejo por que não voltaríamos a antecipar receitas e mesmo financiar a compra", disse.

Outra novidade que, se concretizada, aumentará a atratividade da privatização da Telebrás, é a possibilidade de o governo financiar os grupos interessados em adquirir as empresas tanto da banda A, de telefonia celular, quanto da telefonia fixa. Esse financiamento não ocorreu no leilão da Banda B, embora a empresa de participação do banco, a Bndespar, pudesse participar de até 20%, ou R$ 200 milhões, o que fosse menor, de grupos interessados em concorrer às licitações para a banda B. Mas ainda não há decisões a esse respeito.

No auditório do BNDES em que foi feita a cerimônia de posse, pela primeira vez em cinco anos foi pronunciado o nome do ex-presidente do BNDES, Eduardo Modiano, que, estava na platéia. O autor da citação foi André Lara Resende, que se referiu a ele, a Pérsio Arida e a Edmar Bacha como ex-dirigentes do banco, também economistas envolvidos com os planos de estabilização do País. "Temos no governo um grande grupo de pessoas com as mesmas idéias, trabalhando harmoniosamente em nome de objetivos comuns", assegurou.

TELEBRÁS - Mendonça de Barros já fala que "maximizar" o valor de venda da Telebrás é prioridade. Entre o modelo e o preço, o novo ministro já indicou que deve privilegiar o segundo. Barros disse que entra no processo de privatização no momento certo para atrair compradores e "atiçar" o preço. Mas ainda não corroborou integralmente a avaliação de Lara Rezende, de que qualquer atraso se justifica desde que se alcance o melhor preço para a Telebrás. Na semana passada, o ministro chegou a considerar atraso de até duas semanas no calendário da privatização da Telebrás e, no dia seguinte, insistiu que o cronograma será cumprido, embora tenha reconhecido que a data prevista para a assembléia de criação das 12 holdings fora comprometida.


     

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