- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998

MOEDA ÚNICA
Euro favorece as bolsas européias

FRANKFURT - As bolsas da União Européia deram as boas-vindas ao nascimento do euro, a moeda única do continente, com uma onda de altas na abertura, que chegou a ser de 4,3% em Frankfurt. Segundo os analistas, os meios financeiros mostraram sua satisfação pelo nascimento oficial da moeda no final de semana, na reunião de cúpula européia de Bruxelas e, em particular, pela eleição do holandês Wim Duisenberg como primeiro presidente do Banco Central Europeu (BCE). Duisenberg, atual presidente do Instituto Monetário Europeu, tem fama de realizar uma política monetária sem concessões.

"Duisenberg será o Greenspan da Europa e aplicará a política monetária mais adequada às necessidades econômicas da região", prognosticou um operador comparando ao futuro presidente do BCE com Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal norte-americana. Por sua parte, Rolf Breuer, presidente do Deutsche Bank, primeiro banco europeu, disse esperar uma baixa geral dos preços por um aumento da competição depois da introdução do euro.

Segundo ele, o euro trará a longo prazo um maior crescimento econômico e a criação de empregos, desde quando os governos continuarem melhorando as condições gerais e aplicando reformas indispensáveis, como a do sistema de pensões. Em Madri, o índice Ibex-35 dos principais valores ganhou na abertura da sessão 213,30 pontos ("2,13%) a 10.238,90 pontos. O índice geral avançcava 18,09 puntos ("2,08%), a 889,11 pontos.

Houve a mesma tendência em Milão, onde a bolsa abriu em alta de 2,18%. A Bolsa de Amsterdã abriu em alta de 1,25%, ao superar o índice AEX dos principais valores a barreira recorde dos 1.200 pontos, a 1.202,95 pontos. A Bolsa de Bruxelas também abriu em alta: poucos minutos depois da abertura, o índice Bel-20 dos 20 principais valores avançava mais de 1,6%.

Os mercados financeiros londrinos não deram muita importância à disputa que precedeu a nomeação de Wim Duisenberg para dirigir o BCE, considerando que não afeta a força do euro. Embora o marco alemão e as outras três moedas nacionais da zona do euro tenham baixado um pouco em relação ao dólar, no reinício dos intercâmbios, estas moedas conservam uma parte do terreno que ganharam na sexta-feira, em plena euforia do mercado, nas vésperas do encontro de cúpula europeu de Bruxelas.

O compromisso conquistado pela França sobre a divisão da presidência do BCE, repudiado na Alemanha, semeou discórdia na dupla franco-alemã, "locomotora" da União Européia e pode ser fatal para o chanceler alemão Helmut Kohl, considerado o grande perdedor da cúpula do euro. Para muitos comentaristas europeus, o responsável por este desastre é o presidente francês Jacques Chirac e sua atitude em Bruxelas lhe valeu uma avalanche de comentários mordazes a três dias da cúpula franco-alemã prevista em Avignon.

Entre os pontos de discórdia entre Paris e Bonn está a reforma das instituições européias e o financiamento da ampliação da UE para o Leste. O chanceler alemão terá, sem dúvida, em Avignon outras preocupações como o diálogo com os Estados Unidos, assunto central do encontro dos chefes da diplomacia francesa e alemã.


     

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