MOEDA ÚNICA
Euro
favorece as bolsas européiasFRANKFURT - As
bolsas da União Européia deram
as boas-vindas ao nascimento do
euro, a moeda única do
continente, com uma onda de altas
na abertura, que chegou a ser de
4,3% em Frankfurt. Segundo os
analistas, os meios financeiros
mostraram sua satisfação pelo
nascimento oficial da moeda no
final de semana, na reunião de
cúpula européia de Bruxelas e,
em particular, pela eleição do
holandês Wim Duisenberg como
primeiro presidente do Banco
Central Europeu (BCE).
Duisenberg, atual presidente do
Instituto Monetário Europeu, tem
fama de realizar uma política
monetária sem concessões.
"Duisenberg
será o Greenspan da Europa e
aplicará a política monetária
mais adequada às necessidades
econômicas da região",
prognosticou um operador
comparando ao futuro presidente
do BCE com Alan Greenspan,
presidente da Reserva Federal
norte-americana. Por sua parte,
Rolf Breuer, presidente do
Deutsche Bank, primeiro banco
europeu, disse esperar uma baixa
geral dos preços por um aumento
da competição depois da
introdução do euro.
Segundo ele, o
euro trará a longo prazo um
maior crescimento econômico e a
criação de empregos, desde
quando os governos continuarem
melhorando as condições gerais
e aplicando reformas
indispensáveis, como a do
sistema de pensões. Em Madri, o
índice Ibex-35 dos principais
valores ganhou na abertura da
sessão 213,30 pontos
("2,13%) a 10.238,90 pontos.
O índice geral avançcava 18,09
puntos ("2,08%), a 889,11
pontos.
Houve a mesma
tendência em Milão, onde a
bolsa abriu em alta de 2,18%. A
Bolsa de Amsterdã abriu em alta
de 1,25%, ao superar o índice
AEX dos principais valores a
barreira recorde dos 1.200
pontos, a 1.202,95 pontos. A
Bolsa de Bruxelas também abriu
em alta: poucos minutos depois da
abertura, o índice Bel-20 dos 20
principais valores avançava mais
de 1,6%.
Os mercados
financeiros londrinos não deram
muita importância à disputa que
precedeu a nomeação de Wim
Duisenberg para dirigir o BCE,
considerando que não afeta a
força do euro. Embora o marco
alemão e as outras três moedas
nacionais da zona do euro tenham
baixado um pouco em relação ao
dólar, no reinício dos
intercâmbios, estas moedas
conservam uma parte do terreno
que ganharam na sexta-feira, em
plena euforia do mercado, nas
vésperas do encontro de cúpula
europeu de Bruxelas.
O compromisso
conquistado pela França sobre a
divisão da presidência do BCE,
repudiado na Alemanha, semeou
discórdia na dupla
franco-alemã,
"locomotora" da União
Européia e pode ser fatal para o
chanceler alemão Helmut Kohl,
considerado o grande perdedor da
cúpula do euro. Para muitos
comentaristas europeus, o
responsável por este desastre é
o presidente francês Jacques
Chirac e sua atitude em Bruxelas
lhe valeu uma avalanche de
comentários mordazes a três
dias da cúpula franco-alemã
prevista em Avignon.
Entre os pontos
de discórdia entre Paris e Bonn
está a reforma das
instituições européias e o
financiamento da ampliação da
UE para o Leste. O chanceler
alemão terá, sem dúvida, em
Avignon outras preocupações
como o diálogo com os Estados
Unidos, assunto central do
encontro dos chefes da diplomacia
francesa e alemã.