APOIO
Embaixador
apóia exportação do Valepor PAULO SÉRGIO
SCARPA*
Enviado especial
SUIÇA -
O embaixador do Brasil junto a
Organização Mundial do
Comércio (OMC), Celso Lafer,
disse, em Genebra, que se coloca
à disposição da Federação do
Comércio de Pernambuco
(Fecomércio) para defender os
interesses nordestinos,
principalmente quanto às
exportações de frutas do Vale
do São Francisco e de açúcar.
Celso Lafer recebeu do presidente
da Fecomércio, Josias
Albuquerque, documento que
condena as táticas para impedir
a exportações nordestinas, como
o uso e "abuso" de
taxas tarifárias e,
principalmente, as
não-tarifárias, como as sobre
meio ambiente ou fitosanitárias.
Lafer ficou de
estudar os argumentos
apresentados pelo documento, mas
adiantou que as propostas da
missão empresarial nordestina
chegaram num momento oportuno.
Ontem, Anfavea - organização
brasileira de defesa da
indústria automobilística -
entregou à OMC documentação
também contra as barreiras
tarifárias que estão
dificultando a exportação do
carro brasileiro. Em junho,
chegam a Genebra os mais diversos
tipos de comitês comerciais do
mundo para discutir as relações
comerciais entre os países.
Lafer garantiu que, tanto ele,
como o Itamaraty, estarão à
disposição dos nordestinos para
colocar, em pauta, a exportação
de fruta tropicais e açúcar.
O documento da
Fecomércio demonstra que as
barreiras tarifárias e não
tarifárias do açúcar
brasileiro vêm trazendo
prejuízos à indústria
nordestina. O açúcar das
regiões Norte e Nordeste está
submetido ao cerco tarifário
pelo principais blocos
econômicos como o Mercosul,
Nafta, União Européia e Pacto
Andino. No caso do Mercosul,
Paraguai, Uruguai e Argentina
possuem acordo de taxação de
açúcar do Brasil com uma
barreira tarifária da ordem de
20%. No Pacto Andino, Venezuela e
Colômbia têm pacto sublateral
que taxa o açúcar brasileiro em
25%.
A Fecomércio
sugere que, no caso da Venezuela
incorporar-se ao acordo de compra
de Petróleo pelo Brasil, a
liberação do livre comércio do
produto, já que o açúcar
colombiano tem livre acesso ao
mercado Venezuelano. Também,
negociar com a União Européia a
ampliação da cota de açúcar,
enquanto perdurar as
negociações da STO sobre esse
assunto, além da colocação do
produto na pauta de negociação
Mercosul e União Européia.
Ainda, que durante o período de
transição e adequação da
indústria açucareira, a
Argentina poderia negociar uma
cota tarifária especial para o
Nordeste, exclusivamente para o
açúcar demerara.
Além disso, a
revisão da locação, em cada
país, da TRO dos EUA, de acordo
com os nosso fluxos comerciais do
açúcar brasileiro e incluir o
Brasil no GSP para o açúcar.
Dentro da negociação do Pacto
Andino, destaca o documento, que
haja a revisão das barreiras
tarifárias contra o açúcar
não só entre os países do
bloco, mas também entre os
blocos econômicos. No caso das
frutas do Vale do São Francisco,
pede que a OMC negocie uma maior
abertura dos blocos econômicos
ao produtor de frutas tropicais
brasileiras e a manutenção de
uma rede de informações que
permita evitar um aumento ou
mesmo a criação de mecanismos
impeçam este comércio no
Nordeste.
O documento diz
que as exportações para os EUA
atendem à submissão da manga ao
tratamento pos colheita
denominado hot water dip, no qual
a fruta é emergida em água a
46º C por 75 a 99 minutos, desde
que as frutas tenham entre 425 a
650 gramas de peso. As
exportação de uva para os EUA
também atendem às normas do
USDA (United States Departament
of Agriculture). E que mesmo
assim, o Brasil está negociando,
há 10 anos, sem sucesso,
exportação de manga para o
Japão, devido às "severas
restrições fitosanitárias para
a espécie de moscas da fruta,
"cerater",
"capitata", de
ocorrência no Brasil.
* Paulo
Sérgio Scarpa viajou a convite
da Fecomércio