- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998

SUDENE
Moreira assume hoje a Sudene para redefinir política regional

A transmissão de cargo de superintendente da Sudene - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - acontecerá hoje, às 11h, na sede da autarquia. O general Nilton Rodrigues passará o cargo para Sérgio Moreira, que tomou posse oficialmente no último dia 30, em Brasília. O vice-presidente da República, Marco Maciel irá presidir a solenidade, que também terá a presença dos ministros do Planejamento e Orçamento, Paulo Paiva e do Meio Ambiente, Gustavo Krause. É o 18º superintendente a tomar posse na Sudene nos seus 38 anos de existência.

Moreira é alagoano e foi deputado federal de 1983 a 87. Bacharel em direito, passou quatro anos como presidente da Chesf - Companhia Hidroelétrica do São Francisco, onde ficou até setembro de 97. Depois disso, assumiu a secretária executiva do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal. Na época, o comentário no meio político era de que Moreira assumiria o Ministério, quando Krause fosse disputar as eleições de 98. Politicamente, é ligado a família do ex-senador Teotônio Vilela.

No discurso de posse, ele vai prestar homenagens a todos os ex-superintendentes, em especial ao primeiro - Celso Furtado, fundador da autarquia e ex-ministro do Planejamento - e ao general Nilton Rodrigues, que passou quatro anos à frente da autarquia.

O novo superintendente falou que pretende desenvolver basicamente duas ações. "Iremos trabalhar na direção de combater aos efeitos da seca e também queremos redefinir o papel da Sudene", disse Moreira. Segundo ele, a redefinição do papel da Sudene será fruto de uma discussão transparente que deverá ser feita com vários setores da sociedade.

A autarquia passa por um processo de esvaziamento. Ao longo desta década vários programas e atribuições que eram da autarquia foram transferidas para outros órgãos do Governo Federal e governos estaduais. Só para citar alguns exemplos: as obras hídricas que eram gerenciadas pela autarquia e DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra a Seca - foram transferidas para o Ministério do Meio Ambiente. O mesmo aconteceu com o PAPP - Programa de Apoio aos Pequenos Produtores Rurais que também ficou com os estados desde 93. A defesa civil também saiu das atribuições da Sudene desde 90.

Junto com a transferência de atribuições, também ocorreram a transferência de verbas, o que atraía a classe política que foi se afastando da autarquia até nas reuniões do Conselho, onde cada governador tem um assento e direito a voto. São 24 cadeiras, das quais 10 são ocupadas pelos governadores dos estados do Nordeste e de Minas Gerais.

Outro fator que contribuiu para o afastamento dos governadores das reuniões do Conselho Deliberativo foi o cancelamento das empresas. É o Conselho quem deve votar para excluir as empresas. Como politicamente este não é um fato muito agradável, os governadores deixaram também de comparecer a reunião. A última vez que todos os governadores compareceram a reunião do Conselho foi em 25 de abril de 96. Desde 94, a autarquia começou a expulsar do sistema empresas que apresentavam irregularidades.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes