TRADIÇÃO GUERREEIRA
Uma
história de liberdade e
afirmaçãoA história diz que, em
1515, já existia povoamento em
Pernambuco. Onze anos depois,
Portugal recebia o açúcar aqui
produzido. Nesta época, o nosso
litoral era visitado por
expedições espanholas e os
portugueses já estavam
aclimatados, assimilando até os
costumes indígenas.
Pernambuco
possui uma das mais ricas
histórias do Brasil, com
responsabilidade no pensamento da
nacionalidade, segundo o escritor
Flávio Guerra. "A palavra
brasileiro, no sentito atual, só
foi conhecida após a
Insurreição Pernambucana, em
1645".
Os
pernambucanos foram pioneiros nas
idéias nativistas durante a
expulsão dos holandeses, nas
idéias libertárias do Movimento
Republicano de 1817, na
Confederação do Equador e de
tantas revoluções como a
História registra. O avanço
seguiu também nas letras, artes
e pesquisas científicas.
Paranambuco é
uma palavra indígena que
significa buraco do mar, mas os
portugueses resolveram chamar
Pernambuco. Este lugar foi doado
pelo rei D. João III, em 1534, a
Duarte Coelho, durante as
Capitanias Hereditárias.
Duarte Coelho
ficou de início em Itamaracá,
indo depois para Igarassu,
fundando a Vila dos Santos Cosme
e Damião, onde ainda existe a
igreja mais antiga do Brasil. Foi
para junto dos índios Caetés e
fundou Olinda, em 1536 e
desenvolveu o programa
colonizador, que se sobressai em
relação às demais capitanias.
Olinda foi capital de Pernambuco
por três séculos. Recife servia
de porto.
Durante mais de
10 anos, Duarte Coelho controlou
as áreas de Igarassu e Olinda,
criando os primeiros engenhos e
desenvolvendo a cultura da
cana-de-açúcar, mesmo
enfrentando os obstáculos que os
índios criavam. Eles resistiam
ao trabalho braçal. Assim, foi
obrigado a importar os negros da
África. O número de engenhos
aumentava dando impulso
surpreendente ao local. Tanto
que, em l554, chamou atenção de
franceses e holandeses.
INVASÃO
Atraídos pela riqueza
da capitania e com apoio da
Companhia das Índias Ocidentais,
os holandeses desembarcaram na
Praia de Pau Amarelo em 1630.
Sete anos depois, a Holanda
enviou o príncipe João
Maurício de Nassau. Trazendo
numeroso grupo composto de
artistas, poetas, literatos e
cientistas, ele deu outro rumo ao
Recife. Aqui, permaneceu oito
anos. Era mais estadista que
comerciante, interessado nas
ciências e artes. Tinha 32 anos
de idade e cinco para organizar a
colônia holandesa.
Uma das
primeiras providências de Nassau
foi reconstruir Olinda, que fora
incendiada pelos holandeses. O
ato tinha a intenção de reduzir
o território e controlar o
porto. No Recife, João Maurício
desenvolveu obras urbanísticas:
palácios Friburgo e Boa Vista,
abertura de ruas, canais, diques,
construção de residências e o
Forte das Cinco Pontes. Trouxe
ainda a arquitetura flamenga.
Entretanto sua obra mais
importante foi a construção da
cidade Maurícia (para ser a
capital do Brasil Holandês).
Escolheu a Ilha de Antonio Vaz
(Bairro de Santo Antônio),
ligando-a ao bairro da Boa Vista,
que era o Recife. Ergueu o
primeiro jardim botânico da
América.
Entretanto, os
problemas começaram a surgir em
1640. A Companhia das Índias
Ocidentais exigia que Nassau
cobrasse as dívidas e impostos
dos luso-brasileiros. O clima
ficou insustentável, obrigando
Nassau a deixar o Brasil em 1644.
Após a sua retirada, houve a
Insurreição Pernambucana
(1645\46), movimento coletivo de
rebeldia contra os holandeses.
Os holandeses
não desistem do Brasil. Invadem
Pernambuco em 1630, seis anos
após serem derrotados na Bahia.
A esquadra aportou em Pau Amarelo
e se dirigiu para Olinda e
Recife, encontrando resistência.
Esta invasão, pode ser chamada
de guerra, pois durou 24 anos,
causando atos de heroismo,
traição, crueldade e vitórias.
Pernambuco foi
decisivo para expulsar
definitivamente os holandeses do
Brasil. Nas Batalhas dos
Guararapes, derrotaram os
invasores, respectivamente em
1648 e 1649. Os invasores
capitularam em 1654 e reconhecram
a soberania portuguesa em 1661,
pelo Tratado de Paz de Haia.
RIVALIDADE
Sendo o Recife, em 1709,
vila, queria libertar-se de
Olinda. Os comerciantes chamados
de mascates, provocaram uma das
fases mais polêmicas da
história pernambucana. Ela
caracterizou-se por ser uma luta
de classes entre a nobreza de
Olinda e a burguesia do Recife.
Desta rivalidade surgiram outras
rebeliões: as Revoluções de
1817 e 1824.
A primeira
aconteceu às vésperas da
independência do Brasil,
inspirada na Revolução
Francesa, com o objetivo de tirar
dos portugueses o controle do
comércio. Foi a maior revolta
nordestina da época. A seguinte,
de 1824, teve o nome de
Confederação do Equador, tendo
na figura de Frei Caneca um dos
líderes que acabou sendo
executado. A Confederação era
também um movimento republicano
e separatista do Nordeste, ligado
à independência. Desta vez,
Pernambuco contou com a adesão
da Paraíba, Rio Grande do Norte
e Ceará.
Mais uma vez,
os pernambucanos demonstraram
pioneirismo e liderança nos
movimentos libertários. A
campanha abolicionista começou
praticamente aqui. Uma
associação secreta funcionava
no bairro da Capunga. Era o Clube
do Cupim. Os componentes ajudavam
a fuga dos escravos.
NOSSO
SÉCULO Na Revolução
de 1930, que derrubou o
presidente Washington Luís e
levou Getúlio Vargas ao poder,
Pernambuco contribuiu com a sua
parcela. Resistiu e acabou sendo
centro das agitações na
região. A Paraíba mantinha um
movimento de rebeldia contra o
governo, mas o assassinato do
presidente paraibano João
Pessoa, no Recife, fez a cidade
ser mais um foco de
"guerra". O Jornal do
Commercio sofreu invasão,
quebra-quebra e empastelamento. O
presidente deixou o cargo e o
país penetrou na terceira fase
da República.
Com o advento
do Estado Novo, em 1937, o
governo de Pernambuco ficou com o
sertanejo Agamenon Magalhães na
qualidade de interventor.
Realizou um governo
centralizador. Preocupado com a
moradia da classe pobre nos
casebres, criou a Liga Social
Contra os Mocambos, construindo
vilas populares. Magalhães,
voltou a ser governador em 1950
pelo voto direto.
Os anos 50
foram agitados em todo País. As
idéias do presidente Getúlio
Vargas contribuíram para uma
efervecência operária. O
Partido Trabalhista ficou forte.
Em Pernambuco a região
açucareira enfrentou uma nova
situação. Os produtores
rendeiros eram expulsos dos
"sítios", passando a
existir uma reação que deu
origem às Ligas Camponesas. Era
a vez da Revolução de 64. O
então governador Miguel Arraes
é deposto e exilado, para voltar
ao país após a
redemocratização e ser eleito
por mais duas vezes para o cargo.