- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

TRADIÇÃO GUERREEIRA II
Modernização recupera a economia

Pernambuco está se preparando para voltar a liderar a economia nordestina, a partir do próximo milênio. Depois de perder posições e investimentos importantes para vizinhos como o Ceará, a Bahia e o Rio Grande do Norte, a ex-capitania hereditária que ficou conhecida no período colonial por ter gerado o maior lucro durante o Ciclo da Cana de Açúcar - nos séculos XVII e XVIII -, está tentando se livrar do estigma do atraso. Este processo está se dando através da modernização do Porto de Suape, recuperação dos sistemas de transporte rodoviário e ferroviário, e a promoção da indústria do turismo. Estes setores são apontados pelos economistas como o melhor caminho para um novo período de desenvolvimento no Estado.

A decadência da economia pernambucana foi agravada nos últimos 30 anos, quando as quatro principais atividades produtivas do estado começaram a dar sinais de cansaço. As agroindústrias do açúcar (Zona da Mata) e do algodão (Agreste e Sertão), além das indústrias metalúrgica e de alimentos, eram a base da economia em Pernambuco. Mas estes "eixos de sustentação" foram sistematicamente desmantelados pelas novas exigências dos mercados consumidores e pelo atraso dos meios de produção empregados na Região.

A primeira tentativa de reversão deste quadro aconteceu entre as décadas de 70 e 80. Com o apoio da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), parte desta estrutura foi substituída por um parque industrial diversificado. "Nesta época, muitas indústrias que vendiam para o Nordeste se transferiram para Pernambuco. Produzir aqui ficou mais barato que transportar a mercadoria de outros centros até os mercados nordestinos", lembra o deputado federal e ex-secretário de Indústria e Comércio Sérgio Guerra.

Mas apesar do esforço, a alteração foi insuficiente para manter o nível de emprego, pois o tipo de indústria que se instalou no estado não era capaz de absorver a mão-de-obra disponível. "As fábricas tinham um conceito de modernidade onde o importante é concentrar capital com um número mínimo de empregados", explica Sérgio Guerra.

NOVA FASE - A retomada do desenvolvimento pernambucano começou nos anos 90, depois do surgimento da agroindústria irrigada no Vale do Rio São Francisco, do incentivo à expansão do turismo - principalmente no Litoral -, da consolidação do Porto de Suape e da criação de modernos pólos de serviços de medicina, informática e comércio, a exemplo do Shopping Center Recife, que se tornou o maior centro de compras da América Latina. A duplicação do Centro de Convenções de Pernambuco também integra o plano de desenvolvimento traçado pelo atual Governo.

De acordo com Sérgio Guerra, a reestruturação do setor produtivo em Pernambuco só estará completa quando forem implementadas algumas medidas, como a alavancagem do Porto de Suape e a chegada de novas indústrias no seu parque industrial. A atividade essencial de Suape deverá ser a movimentação de containeres, passando dos atuais 30 mil para 400 mil ao ano. "O Governo do Estado já abriu licitação para a construção de um terminal de containeres privado no segundo semestre deste ano", revelou o deputado.

A instalação de uma usina termelétrica e uma siderúrgica, parceria entre a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Vale do Rio Doce, além da conclusão da ferrovia Transnordestina e recuperação da malha rodoviária, completam a infra-estrutura necessária ao novo momento econômico do Estado.


     

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