TRADIÇÃO GUERREEIRA II
Modernização
recupera a economiaPernambuco está se
preparando para voltar a liderar
a economia nordestina, a partir
do próximo milênio. Depois de
perder posições e investimentos
importantes para vizinhos como o
Ceará, a Bahia e o Rio Grande do
Norte, a ex-capitania
hereditária que ficou conhecida
no período colonial por ter
gerado o maior lucro durante o
Ciclo da Cana de Açúcar - nos
séculos XVII e XVIII -, está
tentando se livrar do estigma do
atraso. Este processo está se
dando através da modernização
do Porto de Suape, recuperação
dos sistemas de transporte
rodoviário e ferroviário, e a
promoção da indústria do
turismo. Estes setores são
apontados pelos economistas como
o melhor caminho para um novo
período de desenvolvimento no
Estado.
A decadência
da economia pernambucana foi
agravada nos últimos 30 anos,
quando as quatro principais
atividades produtivas do estado
começaram a dar sinais de
cansaço. As agroindústrias do
açúcar (Zona da Mata) e do
algodão (Agreste e Sertão),
além das indústrias
metalúrgica e de alimentos, eram
a base da economia em Pernambuco.
Mas estes "eixos de
sustentação" foram
sistematicamente desmantelados
pelas novas exigências dos
mercados consumidores e pelo
atraso dos meios de produção
empregados na Região.
A primeira
tentativa de reversão deste
quadro aconteceu entre as
décadas de 70 e 80. Com o apoio
da Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste
(Sudene), parte desta estrutura
foi substituída por um parque
industrial diversificado.
"Nesta época, muitas
indústrias que vendiam para o
Nordeste se transferiram para
Pernambuco. Produzir aqui ficou
mais barato que transportar a
mercadoria de outros centros até
os mercados nordestinos",
lembra o deputado federal e
ex-secretário de Indústria e
Comércio Sérgio Guerra.
Mas apesar do
esforço, a alteração foi
insuficiente para manter o nível
de emprego, pois o tipo de
indústria que se instalou no
estado não era capaz de absorver
a mão-de-obra disponível.
"As fábricas tinham um
conceito de modernidade onde o
importante é concentrar capital
com um número mínimo de
empregados", explica Sérgio
Guerra.
NOVA
FASE - A retomada do
desenvolvimento pernambucano
começou nos anos 90, depois do
surgimento da agroindústria
irrigada no Vale do Rio São
Francisco, do incentivo à
expansão do turismo -
principalmente no Litoral -, da
consolidação do Porto de Suape
e da criação de modernos pólos
de serviços de medicina,
informática e comércio, a
exemplo do Shopping Center
Recife, que se tornou o maior
centro de compras da América
Latina. A duplicação do Centro
de Convenções de Pernambuco
também integra o plano de
desenvolvimento traçado pelo
atual Governo.
De acordo com
Sérgio Guerra, a
reestruturação do setor
produtivo em Pernambuco só
estará completa quando forem
implementadas algumas medidas,
como a alavancagem do Porto de
Suape e a chegada de novas
indústrias no seu parque
industrial. A atividade essencial
de Suape deverá ser a
movimentação de containeres,
passando dos atuais 30 mil para
400 mil ao ano. "O Governo
do Estado já abriu licitação
para a construção de um
terminal de containeres privado
no segundo semestre deste
ano", revelou o deputado.
A instalação
de uma usina termelétrica e uma
siderúrgica, parceria entre a
Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN) e a Vale do Rio Doce, além
da conclusão da ferrovia
Transnordestina e recuperação
da malha rodoviária, completam a
infra-estrutura necessária ao
novo momento econômico do
Estado.