- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

ÍCONES
Brennand transforma uma velha fábrica em seu santuário da arte

Um santuário de rara beleza, localizado a poucos minutos do centro do Recife. É lá, no Engenho São João, no bairro da Várzea, onde reside e trabalha um dos maiores artistas plásticos brasileiros, o pernambucano Francisco Brennand, 71 anos. Numa área de 15 mil metros quadrados, ele montou o seu ateliê na velha fábrica de tijolos do seu pai, onde exerce as múltiplas atividades de pintor, escultor, ceramista e muralista.

Influenciada por Gaudi e Picasso - conheceu a obra dos pintores na década de 50, na Europa - a arte de Brennand tem raízes no surrealismo. Na sua passagem pelo Velho Continente, o artista teve aulas com André Lothe e Fernando Léger. Também foi a partir do seu encontro com a obra dos pintores europeus que Brennand passou a trabalhar com cerâmica e ganhou projeção. O artista foi o único brasileiro a receber o prêmio Interamericano de Cultura Gabriela Mistral, concedido pela Organização dos Estados Americanos (OEA), aos destaques culturais do continente.

No seu trabalho, Francisco Brennand resgata, paradoxalmente, a religião (pela suntuosidade e forma), sem esquecer os prazeres pagãos, formando uma rede de signos permeada por alguns elementos da cultura popular e do cotidiano nordestino. As mulheres e os homens têm seus órgãos de desejo realçados, seguindo uma linha erótica, mas sem ser nunca pornográfica. A vasta obra de Brennand ainda não encontrou uma definição precisa dos críticos.

MURAIS Uma mostra do seu trabalho também pode ser vista em simples caminhadas pelas ruas do Recife, onde estão espalhados alguns murais preciosos do artista. Um cartão de visitas é o painel instalado no hall do Aeroporto dos Guararapes, desde 1958.

Longe do pacato engenho na Várzea, as obras de Brennand já cruzaram mares para participar de exposições individuais e coletivas na Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Suiça, Argentina, Uruguai, México e Estados Unidos. Sua última coleção foi baseada na fábula Chapeuzinho Vermelho. Nas telas de Brennand, a pequena garota ganha contornos de mulher.


     

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