- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

ÍCONES II
Ariano mescla o popular e o erudito como poucos

Uma das referências da literatura pernambucana reside na obra do romancista e dramaturgo Ariano Suassuna, que atualmente é o secretário de Cultura do Estado. Membro da Academia Brasileira de Letras, Ariano tem sua obra permeada por valores e personagens da cultura popular nordestina e de clássicos da literatura universal. Um dos marcos na sua carreira é o romance A Pedra do Reino, lançado em 1971, e que já foi traduzido para várias línguas.

Esta união de gêneros e estilos também serviu de inspiração para o escritor fundar, junto com outros artistas pernambucanos, em 1970, o Movimento Armorial que pretendeu criar uma arte brasileira erudita, baseada na cultura popular. O movimento - que surgiu, segundo Ariano, em oposição à invasão da cultura norte-americana no Brasil - ganhou adeptos em todas as áreas, se expandido na literatura, dança, teatro e música, e agregando nomes como Capiba, Guerra Peixe, Antonio Nóbrega e Jarbas Maciel.

Além dos romances, boa parte da obra de Ariano está dedicada à dramaturgia. É de sua autoria um dos textos mais encenados do teatro brasileiro, Auto da Compadecida, que também já ganhou uma versão adaptada para o cinema e foi traduzida para o alemão e o francês. O seu último trabalho para o teatro foi A História de Amor de Romeu e Julieta, uma versão do clássico de Sheakespeare com elementos da literatura de cordel.

Dono de uma obra vasta e respeitada, o escritor confessa que o jornalismo sempre serviu de referência para seu traballho. Ele guarda uma pasta com recortes de jornais de matérias sobre cultura, astrologia, política e polícia. "Crio vários personagens a partir deste material", revela Ariano. Não é a toa que na trama de A Pedra do Reino, está o repórter Quaderno, redator da Gazeta de Taperoá, "o jornal mais antigo em circulação do Cariri paraibano".

Aos 71 anos, Ariano divide seu tempo entre as atividades na Secretaria e o término do que considera o seu último livro. A obra, iniciada em 91, é uma continuação de A Pedra do Reino.


     

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